Coração e Vida | Dengue: vacina brasileira no segundo semestre de 2020

Dengue: vacina brasileira deverá estar disponível no segundo semestre de 2020

Instituto Butantan finalizou terceira e última fase de testes, e imunização está pronta. Mas processo de aprovação é longo

20.05.2019 | por Equipe Coração e Vida
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Vacina é totalmente segura e passou por testes clínicos nos Estados Unidos antes de o Instituto Butantan obter a licença Foto: Getty Image

A cidade de São Paulo poderá ser, em breve, o berço da primeira vacina contra a dengue desenvolvida no país. “Acreditamos que até o segundo semestre de 2020 já tenhamos uma vacina de dose única, contra a doença”, afirma o médico infectologista e ex-secretário da Saúde do Estado de São Paulo, David Uip.

Neste mês de maio, o Instituto Butantan, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) terminou a terceira e última fase de testes da vacina. Nesta última etapa, participaram crianças de 2 a 6 anos de idade — adolescentes de 7 a 17 anos, e adultos de 18 a 59 anos participaram da segunda e primeira fase, respectivamente.

Totalmente segura, a vacina, feita com vírus enfraquecido, passou por testes clínicos nos Estados Unidos antes de o Instituto Butantan obter a licença. A imunização é tetravalente, ou seja, age contra os quatro sorotipos de dengue: DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4, e promete prevenir a doença — que até abril desse ano pode ter afetado mais de 450 mil pessoas, conforme relatório do Ministério da Saúde.

No ano passado, a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti atingiu 1,4 milhão de pessoas e provocou 602 óbitos. “Estamos otimistas com a vacina brasileira, mas o processo é longo. Agora aguardamos comprovação do tempo necessário para medir eficácia e, posteriormente, ser enviada aos órgãos reguladores, para aprovação” explica o diretor do Butantan, Dimas Covas, ao site Coração e Vida.

Eficácia da vacina:
O tempo mencionado pelo diretor depende de alguns fatores, como, por exemplo, de questões epidemiológicas favoráveis, como a circulação dos quatro subtipos de vírus da dengue no país. Todos os voluntários participantes dos testes da vacina precisam ter tido contato com os quatro subtipos de vírus, a fim de comprovar a eficácia do imunizante. Tal processo leva tempo.

Vacina francesa tem restrições
No início de maio, a Agência Reguladora dos Estados Unidos para Alimentos e Medicamentos (FDA) aprovou, com restrições, o uso no país da primeira vacina contra a dengue. Conhecia por ‘Dengvaxia’, do laboratório francês Sanofi Pasteur, o imunizante estava sendo aplicado somente em pessoas residentes de áreas onde a doença é epidêmica — e que já tenham sido infectadas. Segundo o jornal The New York Times, a decisão do FDA foi tomada depois de o laboratório Sanofi ter admitido que a vacina pode provocar a forma mais grave de dengue — se aplicada em pessoas que nunca foram contaminadas pela doença.

A francesa Sanofi distribui o imunizante para o Brasil desde 2015, vendido em clínicas particulares. Por isso, os esforços na criação e agilidade para o lançamento da vacina brasileira são visto com bons olhos — uma vez que é totalmente segura e não há indícios de reações adversas.

Vale lembrar que as vacinas são preventivas e não descartam a necessidade de reforçar os cuidados básicos contra o foco dos mosquitos nas residências. “Sabemos que 80% dos focos de dengue são residenciais. Esta realidade precisa mudar”, enfatiza Uip.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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