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Dia Mundial do Câncer: mortalidade pela doença está diminuindo

Diagnóstico precoce e tratamentos inovadores estão mudando a forma de encarar a enfermidade

4.02.2018 | por Eli Pereira - Equipe Coração e Vida

O Dia Mundial do Câncer, celebrado neste domingo (4), traz uma boa notícia: a incidência proporcional de casos de câncer está em queda e o número de mortes também diminuiu, explica o oncologista Artur Katz, do Hospital Sírio-Libanês.

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De acordo com o médico, o fato de que há muito mais pessoas com câncer atualmente se deve exatamente ao aumento da população.

Foto: Shutterstock

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“Se tínhamos muito menos habitantes no Brasil em 1970 e hoje temos três vezes mais, é natural que o número de casos aumente, mas a incidência dos tumores em homens e mulheres vem decrescendo, especialmente as dos homens – e a mortalidade de ambos os sexos vem caindo”, diz o médico.

A razão dessa boa nova é que o diagnóstico precoce está evoluindo cada vez mais.  Além disso, é possível ver também uma redução do tabagismo. “Era uma bomba relógio que explodia depois”, comenta Katz.

Por outro lado, o conhecimento da hereditariedade de alguns tumores de mama contribuiu para o diagnóstico precoce e tratamento preventivo.

Por uma série de fatores, portanto, a mortalidade apresentou queda. Os tratamentos contra alguns tipos de câncer também estão em constante evolução.

Katz conta que surgiram boas novidades para vários tipos de linfomas, leucemias, mieloma múltiplo, câncer de pulmão, de mama e melanoma.

Tendências para o futuro

De acordo com o oncologista Manoel Carlos, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o tratamento contra o câncer mudou muito desde o início do século 20.

Ele diz que, no início, a tendência era tratamento cirúrgico, mas que muitas vezes não tinha um resultado bom por causa das raízes que o câncer criava, que não era possível ser eliminada na cirurgia. A quimioterapia, então, entrou em cena na segunda metade do século 20 e se mantém até hoje.

De 2004 para cá, no entanto, houve grandes mudanças no tratamento do câncer. Conforme o especialista explica, a imunoterapia proporcionou um avanço grande no tratamento de alguns tipos de câncer.

“Estudando os tumores, descobrimos que eles têm um jeito de enganar o nosso sistema imune. Produzem uma substância que deixa os linfócitos [células de defesa] ‘cegos’. E essas medicações fazem com que o nosso próprio sistema imune consiga reconhecer o tumor e atacá-lo, da mesma forma que ataca uma infecção, como por exemplo, a gripe”, comemora.

“Conseguiu se fazer com que aquela doença que estava previamente espalhada em várias partes do corpo, regredisse”, explica.

Essa imunoterapia vale para casos específicos de melanoma, câncer de pulmão, de bexiga, de rim e de cabeça e pescoço. Efeitos colaterais podem aparecer, mas são bem distintos daqueles provocados pela quimioterapia.

“Conhecemos a quimioterapia pelas feridas na boca, enjoo, queda de cabelo. Na imunoterapia não. Ela pode atacar a tireoide, provocando uma tireoidite, atacar o fígado, dando hepatite ou até mesmo o estômago, com uma gastrite. O médico tem de estar habilitado para tratar essas alterações”, explica.

As inovações contra o câncer não pararam na imunoterapia. Há também o que se chama de medicina personalizada. Dentro dela, a terapia alvo.

Carlos explica que se estuda o que aconteceu dentro da célula que, antes normal, se transformou em aberrante. “Não entendemos tudo ainda, mas sabemos que acontece uma mutação no genoma dessas células que se tornaram cancerígenas. Alguns tumores têm alterações muito típicas no DNA”, explica.

A terapia alvo, então, vem para bloquear essa mutação. “Temos um alvo no DNA, e conseguimos atacá-lo e fazer com que a célula mutante pare de se multiplicar.”

Assim como a imunoterapia, a terapia alvo não vale para todos os tipos de câncer, mas para alguns casos de câncer de pulmão, intestino, mama e melanoma.

Além disso, há também a mais recente terapia celular. De acordo com Carlos, essa técnica envolve “capacitar” as próprias células de defesa dentro de um laboratório e reinserir no corpo novamente.

“Aparelhamos os linfócitos para que eles lutem contra a doença. Observamos uma remissão bastante significativa, com índices de cura elevados”, comemora.

Atualmente, o tratamento está autorizado para leucemia linfoide aguda (LLA) em crianças.

Prevenção ainda é o melhor conselho

Bons hábitos de vida são importantes para evitar o câncer. De acordo com Katz, não é novidade que existe uma variedade grande de tumores relacionados ao tabagismo, como a obesidade e o sedentarismo.

Uma combinação de bons hábitos, ausência de tabagismo, dieta adequada e peso ideal, portanto, faria alguém nunca ter câncer? Errado.

Ainda há a falta de sorte. “O azar significa que a pessoa fez tudo direitinho e ficou doente. Mas quer dizer que se você fizer tudo errado, aumentará o risco. Se você puder fazer tudo direito e reduzir os riscos através desses comportamentos, ainda assim estará sujeito ao azar, a fatalidades e coisas que não se controla”, explica o oncologista do Hospital Sírio-Libanês.

“Controlar a exposição ao sol é importante para evitar tumores de pele e melanoma, mas ainda assim é possível ‘receber um tiro de uma bala perdida’”, ilustra Katz.

Se a pessoa tem hábitos ruins, no entanto, ela traz para perto o risco aumentado de ter câncer. Logo, um bom estilo de vida é o que cada um pode fazer para si para evitar a doença.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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