Coração e Vida | Eletroestimulação muscular: como funcionam os treinos

Eletroestimulação muscular: saiba como funcionam os treinos de 20 minutos

Novidade em academias, a técnica pode trazer benefícios similares à musculação

18.09.2018 | por Equipe Coração e Vida

Por Thássio Borges

Os amantes de exercícios físicos – e até mesmo aqueles que não são entusiastas das atividades regulares – passaram a contar com uma nova técnica que alia a eletroestimulação muscular a treinos físicos frequentes.

Não se trata de um procedimento novo, mas a diferença principal é que, até pouco tempo, a prática era utilizada apenas em pacientes internados, com mobilidade reduzida, sem condições de realizar um processo regular de fortalecimento muscular.

Uma das principais vantagens da eletroestimulação muscular é a curta duração dos treinos - Foto: Freepik

Uma das principais vantagens da eletroestimulação muscular é a curta duração dos treinos – Foto: Freepik

Quem opta pela eletroestimulação nas clínicas e academias agora utiliza um tipo de traje conectado a estimulares elétricos. O instrutor orienta que o aluno faça alguns movimentos físicos, como agachar, levantar, girar de um lado ao outro, enquanto os músculos que estão sendo trabalhados recebem “choques leves” por meio dessa roupa. Após quatro segundos sem eletroestimulação, o ciclo é repetido mais vezes.

O treino dura cerca de 20 minutos e não pode ser feito em dias consecutivos. O desconforto é dos choques é baixo – e a sensação após as atividades é muito semelhante à prática de musculação tradicional. Uma das principais vantagens, entretanto, é a curta duração das sessões na comparação com as outras modalidades de trabalho muscular.

O que dizem os especialistas

Raphaela Vilar Groehs, pesquisadora da Unidade Clínica de Reabilitação e Fisiologia do Exercício do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), estudou a fundo a estimulação elétrica funcional de baixa frequência na atividade nervosa e na vasoconstrição em pacientes com insuficiência cardíaca avançada.

Essas pessoas utilizam roupas semelhantes às usadas hoje em clínicas e academias – e recebem a eletroestimulação para fortalecer a musculatura em determinadas regiões do corpo com baixa mobilidade.

“A estimulação elétrica já é utilizada na fisioterapia há bastante tempo, como reabilitação nos pacientes com distúrbios neuromusculares”, explica Raphaela. “Mais recentemente, ela vem sendo usada também nos pacientes cardiopatas. E os estudos mostram que a estimulação elétrica traz benefícios de aumento de força muscular e de capacidade funcional nos pacientes nesses dois quadros, um ganho similar ao observado com o exercício físico”, completa a especialista.

Raphaela Groehs explica, no entanto, que o aumento com a atividade física frequente é maior, mais efetivo. Portanto, a recomendação ao paciente que tem condições de realizar a atividade física tradicional é que opte por ela em vez de utilizar somente a eletroestimulação.

“Os últimos estudos sugerem que a eletroestimulação tem mais benefícios com o exercício físico comum. Por isso se recomenda aliar as duas práticas. A eletroestimulação em um paciente saudável, sem nenhuma patologia, não traz grandes benefícios se apenas ela for utilizada”, explica.

De acordo com a pesquisadora, vale lembrar que é uma técnica segura, mas não é indicada para gestantes ou pacientes que fazem uso de marca-passo. E que, como toda atividade física, deve ser acompanhada por profissionais capacitados.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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