Coração e Vida | Enxaqueca atrapalha o dia a dia e pode ser incapacitante

Enxaqueca atrapalha o dia a dia e pode ser incapacitante

Dor atrapalha a rotina; tratamento preventivo pode ajudar

15.08.2018 | por Eli Pereira - Equipe Coração e Vida

Quem sofre com enxaqueca sabe: quando a dor vem, a vontade é de se isolar, principalmente em um ambiente escuro e silencioso. Mas o que difere, afinal, a enxaqueca de uma dor de cabeça comum? É o fato de a dor ser pulsante, como se houvesse um segundo coração batendo dentro da cabeça. E, claro, muitas pessoas também apresentam enjoos e chegam até a vomitar durante as crises.

O neurologista Rogério Tuma explica que, em geral, a dor de cabeça da enxaqueca é latejante e há fatores que precedem a dor, como alterações na visão. Fotofobia, sensibilidade ao barulho também podem aparecer durante as crises. Há quem sofra com enjoos, já que, na fase pulsante da enxaqueca, pode acontecer o aumento da pressão intracraniana, que aumenta o desconforto.

Dor pulsante é uma das características da enxaqueca - Foto: Shutterstock

Dor pulsante é uma das características da enxaqueca – Foto: Shutterstock

A enxaqueca pode atingir qualquer idade, mas o mais comum é surgir quando a pessoa entra na adolescência, por causa da variação hormonal, e perdura até a idade adulta. “Depois da menopausa, costuma diminuir”, explica Tuma, no caso das mulheres.

Além disso, Tuma conta que a genética influencia muito, já que o risco de ter enxaqueca é maior em quem tem pais que sofrem com esse tipo de dor.

Há crianças, porém, que não escapam da enxaqueca. “Às vezes os pais levam a criança no oftalmologista porque ela está com enjoo ou reclama de dor de cabeça: muitas vezes esses sintomas são de enxaqueca”, alerta. “Uma das dicas importantes é que a enxaqueca é familiar. Se o pai ou mãe tem, a criança pode, sim, ter”.

Dor deve ser combatida no início

Normalmente as crises de enxaqueca começam de forma fraca, o que faz muita gente deixar para tomar o remédio quando a dor fica mais forte. Mas aí é que mora o problema, explica Tuma: o medicamento deve ser tomado no início da dor, para evitar que ela aumente. “Tomando na fase inicial da dor, os medicamentos interrompem o circuito da enxaqueca”. Quando essa regra é desrespeitada, os medicamentos já não agem tão bem.

Cuidado com a automedicação

É importante que quem tenha enxaqueca mais do que três vezes por mês procure um médico para receber orientação de qual é o melhor medicamento para ser usado durante as crises. Quem tem enxaqueca e toma analgésicos comuns ou anti-inflamatórios mais do que duas vezes na semana, está em sério risco de desenvolver o que se chama de cefaleia crônica diária, uma espécie de dor que acontece pelo abuso dos medicamentos.

Tratamento preventivo

Atualmente, há tratamento que ajuda a evitar que a pessoa tenha uma crise de enxaqueca. Esse preventivo é feito tanto com medicamentos como com outras técnicas, como uma mudança no estilo de vida, sono adequado, correção de postura, técnicas de relaxamento e até mesmo o uso de toxina botulínica, indicada para casos específicos.

É importante consultar um médico – e este pode ser um neurologista ou clínico geral, que também é habilitado a identificar e tratar enxaqueca – para que o diagnóstico e tratamento seja feito de acordo com a necessidade da pessoa. Os tipos de medicamentos podem variar de acordo com o perfil de dor, portanto apenas um médico saberá tratar da melhor forma.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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