Faltam políticas públicas para todas as doenças no Brasil, diz secretário

24 de agosto - 2017
Por: Equipe Coração & Vida

Por conta do avanço da medicina, a Aids já não é mais uma sentença de morte, como na década de 1980. Ainda assim, são cerca de 830 mil brasileiros vivendo com HIV, segundo dados de 2015 da UNAids, órgão das Nações Unidas para questões relacionadas à doença. Desse total, 112 mil desconhecem a sua condição.

O primeiro caso de HIV no Brasil foi identificado em 1982. A minissérie “Os dias eram assim”, da TV Globo, vem mostrando o drama de uma personagem que descobriu o vírus na década de 80, época em que a morte pela doença era muito comum, pela ausência dos medicamentos antirretrovirais.

Nos últimos 20 anos, houve uma queda de 42% na mortalidade provocada pelo HIV no Brasil. No entanto, o número absoluto de novos casos de Aids no Brasil aumentou em 3% nos últimos anos. Essa tendência é contrária ao que se registra na média mundial, que sofreu contração de 11%.

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, o infectologista David Uip, atribuiu o fato à falta de políticas públicas para todas as doenças no Brasil.

“Nós temos uma epidemia de sífilis, aumento do número de casos de herpes genital, de hepatite e da velha e conhecida gonorreia. Eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar que há aumento no número de casos de doenças sexualmente transmissíveis [DSTs]. E pouco se faz em termos de políticas públicas”, afirmou o especialista em entrevista exclusiva ao site Coração & Vida.

Dados do Ministério da Saúde, de 2005 a 2014, indicam que a Aids entre jovens de 15 a 19 anos mais que triplicou e, na faixa de 20 a 24 anos, quase dobrou.

Outra população vulnerável é a de homossexuais, com a maior proporção de infectados entre os do grupo de risco (15 a 24 anos), com taxa de 10,5%, mostrando a importância de reforçar as campanhas de prevenção entre esses públicos.

“Hoje você tem várias formas de prevenção, a começar pela camisinha. Mas as pessoas não estão se precavendo. Esse jovem não está lendo jornal, vendo TV. Temos que aprender a usar a linguagem dele.”

O especialista ainda ressaltou a importância da conscientização. “Cada um fazer sua parte na prevenção. E prevenção implica uso de camisinha. Existem cuidados que são absolutamente pertinentes, mais do que prevenção, responsabilidade, conscientização. Tem de partir de cada um, por mais que se faça política pública e prevenção. Se cada um não fizer a sua parte, não dará certo”, destacou.

O secretário também falou sobre o futuro do tratamento da doença. “Há novas drogas, mais modernas e com menos efeitos adversos. Mas não dá para antecipar uma data de cura. A melhor forma de prevenção ainda é uma vacina.”

Referência

O Brasil é considerado referência no controle da Aids pela ONU, sendo um dos primeiros países a oferecer combinação do tratamento para HIV.

Realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma gratuita e com a utilização de medicamentos de última geração, o tratamento garante maior qualidade de vida e menos efeitos colaterais, possibilitando que os infectados tenham uma vida normal.

O País adotou ainda em 2013, como estratégia para controle da epidemia, tratamento para todas as pessoas infectadas com HIV, independentemente de seu estado imunológico.

Também não é preciso aguardar a doença se manifestar. Hoje já está disponível na rede pública de saúde a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV, indicada para quem teve contato com o vírus, seja por relações sexuais sem proteção, rompimento de camisinha ou violência sexual.

A PEP atua como tratamento preventivo, com o uso de remédios antirretrovirais por um período de 28 dias, impedindo a sobrevivência e multiplicação do HIV no organismo, podendo ser utilizado até 72 horas após a exposição ao vírus.

Prevenção

A principal forma de prevenir a Aids é usando preservativo nas relações sexuais, mas o vírus HIV pode ser transmitido por agulhas contaminadas, por contato com fluidos corporais de portadores da doença e de mãe para filho.

Para evitar o contágio, seringas e agulhas não devem ser compartilhadas. Gestantes portadoras de HIV precisam seguir tratamento recomendado durante o pré-natal para evitar a contaminação do bebê.

Em caso de suspeita de contaminação, o serviço de saúde deve ser procurado rapidamente para a realização de exames e profilaxia.

Os moradores de São Paulo contam ainda com o serviço Disque DST/Aids, um atendimento por telefone e que esclarece dúvidas referentes a DSTs e também orienta sobre serviços especializados em Aids e centros de testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, em todo o Estado. A ligação é gratuita pelo número 0800162550.

Terapias complementares

Há uma parcela de pacientes HIV positivos que, além de realizarem o tratamento com medicamentos, fazem terapias complementares, como a acupuntura, que já estão disponíveis em unidades públicas de saúde.

Essas técnicas terapêuticas não substituem o tratamento com antirretrovirais, mas oferecem ao paciente com Aids alívio dos sintomas da doença.

São inúmeros os fatores que afetam a qualidade de vida dos pacientes soropositivos, estando ou não em tratamento medicamentoso. Estresse, ansiedade, depressão, dores, insônia, fadiga, perda de peso, náuseas, anorexia, diarreia e disfunção sexual são alguns deles.

Os efeitos colaterais da medicação também podem afetar fortemente um paciente com HIV. Além da acupuntura, outras técnicas como tai chi, meditação, homeopatia, fitoterapia são empregadas na rede pública.

As terapias complementares podem causar efeitos adversos, mas são mínimos e raramente significativos. As técnicas, no entanto, precisam ser aplicadas por profissionais especializados para garantir a segurança dos pacientes.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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