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Hanseníase: entenda o que é a doença que afeta mais de 25 mil brasileiros por ano

Popularmente conhecida como lepra, hanseníase tem cura, basta tratar

21.01.2019 | por Equipe Coração e Vida

Contagiosa, mas perfeitamente tratável, a hanseníase afeta mais de 25 mil brasileiros por ano, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. A maior incidência está nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins, Piauí e Mato Grosso. Neste Janeiro Roxo, mês dedicado ao Combate e Prevenção da Hanseníase, entenda o que fazer para identificar e tratar a doença.

A hanseníase afeta os nervos e, quando não tratada, provoca deformidade neles. De acordo com a dermatologista Adriana Vilarinho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença tem evolução lenta, ou seja, é possível que a pessoa que tenha contraído a bactéria passe anos sem ter manifestação da doença.
Por não ser possível reverter os problemas causados pela doença, o ideal é identificá-la ainda no início, para tratar e impedir que ela tenha algum progresso.

Fique atento a manchas na pele que não cura e não têm relação com micoses ou outros problemas  - Foto: Shutterstock

Fique atento a manchas na pele que não cura e não têm relação com micoses ou outros problemas
– Foto: Shutterstock

“Ela se manifesta principalmente por meio de sinais e sintomas dermatoneurológicos, como lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pé”, explica a dermatologista. “Quanto mais precocemente diagnosticada e tratada, mais rapidamente é possível curar o paciente”, alerta.

Sinais de que algo está errado

Um dos primeiros sinais da hanseníase é justamente uma mancha na pele, que não cura e não tem conexão com nenhuma micose ou outras causas. Outro sinal de alerta é a alteração de sensibilidade, quando a pessoa não consegue mais diferenciar o quente do frio.

Adriana explica ainda que essas manchas podem aparecer em qualquer parte do corpo, mais frequentemente no rosto, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas. “São manchas avermelhadas ou esbranquiçadas”, detalha a especialista.

Com a evolução da doença, os nervos podem ficar engrossados e doloridos, além de a pessoa apresentar uma menor sensibilidade nas áreas inervadas por eles, como olhos, mãos e pés.

A perda da força dos músculos que são atendidos pelos nervos comprometidos também é algo para se preocupar. “Essas lesões são responsáveis pelas incapacidades e deformidades características da hanseníase”, diz a dermatologista.

Uma das características da doença sem tratamento é a mão em forma de garra, quando os nervos encolhem. Mesmo nesse ponto já avançado, ainda é possível curar a hanseníase, mas os danos causados por ela são irreversíveis, pois os nervos não voltarão mais à posição original. Procurar um médico já nos primeiros sinais, portanto, é o que faz com que o tratamento seja eficaz e não haja sequelas.

Tratamento é gratuito

Adriana Vilarinho explica que o tratamento contra a doença é feito com uma quimioterapia específica, a poliquimioterapia. Esse tratamento é fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o tempo de uso do medicamento depende da resposta de cada pessoa e do tipo da doença, sendo que pode levar de seis meses até alguns anos de acompanhamento.

Prevenção

Quando se trata da hanseníase, qualquer pessoa pode ter a doença, explica a dermatologista. “O contágio se dá por meio de uma pessoa doente, portadora do bacilo de Hansen, que não está em tratamento e que elimina para o meio exterior, contagiando pessoas suscetíveis.”

A principal via de eliminação do bacilo pela pessoa doente e a mais provável porta de entrada no organismo de quem está passível de ser infectado são as vias aéreas superiores o trato respiratório. Para isso, porém, é preciso que a pessoa tenha um contato direto com quem tem a doença e não está tratado.

Se o contato for rápido, o risco é baixo. Não se pega facilmente em metrô, ônibus ou elevador.

Pelo fato de a doença ser de evolução lenta, muitas vezes alguém contrai a hanseníase e ela só se manifesta depois de muitos anos. É o caso de a infecção surgir durante a gravidez.

“As alterações hormonais da gravidez causam uma baixa da imunidade celular, fundamental na defesa contra o Mycobacterium leprae, que é o bacilo de Hansen. Portanto, é comum que os primeiros sinais de hanseníase em uma pessoa já infectada apareçam durante a gravidez e puerpério”, explica a médica.

A boa notícia é que a gestação nas mulheres com hanseníase tende a apresentar poucas complicações. E, mesmo gerando um bebê ou amamentando o filho, não é contraindicado fazer o tratamento. “Algumas drogas são excretadas pelo leite, mas não causam efeitos adversos”, conclui.

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