Coração e Vida | Limites mais rígidos no controle de colesterol e diabetes são para beneficiar paciente - Coração e Vida

Limites mais rígidos no controle de colesterol e diabetes são para beneficiar paciente

Quem tem risco cardíaco muito alto deve manter colesterol ruim abaixo de 50

13.12.2017 | por Eli Pereira - Equipe Coração e Vida

Não é brincadeira, tampouco maldade: quando o médico recomenda que o colesterol esteja abaixo de um limite, não adianta argumentar que há 20 anos o pai estava acima daquela linha e, na época, ela era considerada boa. Com o avanço das pesquisas médicas, descobriu-se que o risco de morte diminui proporcionalmente em relação ao valor do colesterol ruim (LDL). Quem tem risco cardíaco muito alto, por exemplo, tem de ficar em um limite ainda mais restrito (abaixo de 50).

Até pouco tempo atrás, o desejável quando se tratava do colesterol total, por exemplo, era que ele estivesse abaixo de 200. Agora, o ideal é que esteja menor que 190.

Foto: Shutterstock

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Uma diretriz recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia determinou também que pacientes com risco cardíaco muito alto devem controlar o colesterol com precisão, ficando com o colesterol ruim menor do que 50. Nesse grupo entra quem já infartou e, principalmente, quem já teve recorrência de infarto.

A cardiologista do Instituto do Coração (Incor) Viviane Giraldez explica que os estudos bases para essa mudança não foram feitos exatamente para determinar os valores de LDL.

“Geralmente, o que os estudos fazem é comparar um regime terapêutico versus outro mais intenso. Nisso viram que os pacientes que apresentaram um valor mais baixo de LDL evoluíram melhor. Realmente tem uma queda proporcional do risco à medida que se reduz o colesterol.”

O cardiologista do Hospital Sírio-Libanês João Vicente da Silveira explica que cada vez mais estavam morrendo pessoas dentro das metas anteriores de colesterol, então resolveu-se apertar um pouco para ver se reduzia a mortalidade.

“Principalmente em mulheres e pacientes infartados, que sofreram AVC. Isso é como um mecanismo de apertar o cinto.”

Valores tão baixos assim, naturalmente, são só para alguns sortudos. A maioria das pessoas não consegue atingir um LDL menor que 50 só com uma boa alimentação e atividade física – embora elas sejam fundamentais para o controle e atendam bem quem não tem risco cardíaco muito alto em não precisa ter um colesterol tão baixo assim. No caso do muito alto risco, medicamentos são necessários para mandar o colesterol ruim embora e evitar a repetição de eventos cardiovasculares.

Diabetes também mudou

Décadas atrás, tolerava-se uma glicemia de até 140 e, a partir desse nível, era considerado diabetes. Quando se descobriu os danos causados por uma glicemia alta assim, os valores foram revistos para até 126. Ainda assim, não é prudente deixar chegar a esse ponto, como explica Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês.

“A resistência à insulina, às vezes, começa 20 anos antes do diabetes aparecer. O primeiro achado da resistência à insulina é quando a gente precisa de mais insulina para manter a mesma glicose no sangue. A pessoa pode ter uma glicose normal, mas ela já tem uma necessidade maior da insulina, como se fosse um carro que precisasse de mais gasolina para andar igual ao meu. Anda igual, mas gasta mais”, compara.

Para começar a tratar antes e evitar que se evolua para um diabetes, os limites toleráveis foram reduzidos. Hoje, a partir de 100, já é considerado pré-diabetes e, a partir de 126, uma pessoa é considerada diabética.

“Quando a pessoa tem uma glicemia de 126, que é o diagnóstico de diabetes, a gente sabe que ela já perdeu 50% das funções das células que produzem insulina. É muito! Quando a glicemia de jejum está maior que 100, a gente já tem um aumento de doença cardiovascular”, alerta.

Para Zilli, pelo fato de os danos já estarem parcialmente consolidados quando a pessoa atinge uma glicemia de 126, a tendência é que, ao longo dos anos, essa tolerância baixe ainda mais. “É uma doença que cobra um preço caro a longo prazo”, preocupa-se.

Nem só de colesterol se faz um infarto

Claro, o colesterol alto é um fator muito relevante sobre um infarto. Porém, Viviane explica que o tabagismo, a pressão alta e o diabetes, por exemplo, também “ferem” o endotélio (parte interna das artérias) e estimulam a aterosclerose, que é a formação de placas que se calcificam com o tempo e podem obstruir as coronárias, provocando a falta de irrigação no músculo cardíaco, o famoso infarto.

Ou seja, além de manter o colesterol dentro dos padrões estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, manter-se longe do cigarro, controlar o diabetes e a pressão alta é fundamental para afastar o risco de ter um problema cardiovascular.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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