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Masturbação sem crise

Prática é envolta em mitos, mas não provoca problemas em adolescentes ou adultos

10.01.2018 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

A masturbação ainda é um assunto que guarda diversos preconceitos. Em relação aos adolescentes, são muitos os mitos que envolvem o assunto, mesmo que pronunciados, em diversas vezes, em tom de brincadeira ou deboche. O site Coração & Vida consultou um médico especialista para esclarecer o que é mito e o que é verdade sobre a masturbação.

Logo de início, Celso Gromatzky, doutor em Urologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio-Libanês, esclarece que a masturbação não gera qualquer problema físico.

Foto: Shutterstock

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Trata-se, conforme ele explica, de uma experiência sexual que pode ser realizada pelo indivíduo de forma isolada ou em uma prática que pode ser feita por um casal. “Ou seja, nem sempre é uma atividade solitária”, afirma Gromatzky.

O especialista explica que a masturbação não causa as chamadas “espinhas” nos adolescentes e nem qualquer outro problema de pele. Apesar do que é dito popularmente, o aumento de acnes na adolescência não guarda qualquer relação com a frequência com que o adolescente se masturba.

“A acne é um processo inflamatório dos folículos dos pelos. Na adolescência, ocorre um aumento da oleosidade da pele em decorrência das alterações hormonais desta fase do desenvolvimento. Entretanto, a masturbação […] em nada promove alterações hormonais ou na pele”, afirma.

O especialista explica que a crença de que a masturbação pode causar problemas físicos decorre de falsas verdades, pseudocientíficas, divulgadas por médicos ou religiosos.

Um exemplo são os textos escritos pelo médico e religioso John Harvey Kellogg, que defendia, entre outros pontos, que os pais prevenissem a masturbação nas crianças, atando suas mãos, protegendo seus genitais, costurando o prepúcio e até mesmo aplicando choques elétricos, se necessário.

A única ressalva feita por Gromatzky diz respeito aos casos em que o excesso de masturbação afeta diretamente a vida pessoal e social da pessoa.

“Nenhum problema físico é decorrente da masturbação. Entretanto, se esta for realizada em frequência ‘exagerada’, causando sofrimento pessoal, afastamento social, interferência nas atividades de trabalho e estudo, podemos interpretar que esta masturbação frequente seja uma manifestação que merece atenção especializada de um profissional da área de saúde mental”, complementa.

Importante destacar ainda que não há qualquer diferença entre a masturbação masculina e a feminina no que diz respeito a possíveis efeitos ou então ao que seria considerada uma frequência saudável.

Além disso, também não é possível apontar diferenças entre o adolescente e o adulto na prática. “Se não houver sofrimento do indivíduo ou impacto negativo na sua vida social e profissional, a masturbação é um aspecto normal da sexualidade”, completa o especialista.

Em relação aos adolescentes e seus hormônios, Gromatzky faz apenas um alerta, que não tem qualquer relação com a masturbação.

“A maior preocupação em relação ao desenvolvimento do adolescente, em relação aos hormônios, é o cuidado que se deve ter em coibir o uso indiscriminado de hormônios sexuais, principalmente derivados ou a própria testosterona, bem como do hormônio de crescimento [gH] para ganho de massa muscular em academias. Esta prática pode causar diversos problemas de saúde como infertilidade, baixa estatura final, e até doenças cardiovasculares”, finaliza.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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