O coração aflito pede atenção

14 de abril - 2017
Por: Equipe Coração & Vida

Os provocadores são normalmente momentos severos de estresse. E o nome do quadro parece algo muito emocional, mas a verdade é que a chamada Síndrome do Coração Partido afeta o organismo de modo fisiológico mesmo.

Também é chamada de cardiomiopatia induzida por estresse ou cardiomiopatia de takotsubo (palavra que designa um tipo de pote usado no Japão, país que primeiro definiu a doença, como uma armadilha para polvos – e que tem o mesmo formato do coração que passa pelo problema).

E a síndrome tem outras particularidades: pode atingir mesmo quem vive uma vida bastante saudável, mas tem chance de se desenvolver como uma doença médica séria (que às vezes se agrava até se tornar algo crônico).

A Síndrome do Coração Partido é um mal intensamente ligado ao sexo feminino.

Foto: Shutterstock
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Segundo dados colhidos em um estudo organizado recentemente pela Faculdade de Medicina de Harvard, mais de 90% dos casos relatados são de mulheres com idade entre 58 e 75 anos.

A pesquisa sugere que até 5% das pacientes atingidas por um ataque de coração têm essa desordem – que até pouco tempo, em meados dos anos 1990, não era muito reconhecida e só há poucos anos começou a ser relatada nos Estados Unidos.

Felizmente, o estudo também concluiu que a maioria das pessoas pode se recuperar da doença sem danos ao coração a longo prazo.

Os motivos podem vir de um problema de saúde grave, como o infarto, mas também de surpresa e por razões como um divórcio, a morte de uma pessoa próxima, uma separação física de alguém querido – como o nome da Síndrome do Coração Partido sugere.

Mas boas notícias, como ganhar na loteria, também já foram motivos registrados por médicos americanos.

Como sintomas e exames costumam ser semelhantes aos casos de ataque cardíaco comum, dificilmente a síndrome é apontada em um primeiro diagnóstico.

Segundo o cardiologista Douglas Miller, um especialista no assunto e reitor da escola de medicina da New York Medical College, a prevenção também acaba sendo a mesma.

“Um primeiro episódio quase nunca é apontado como cardiomiopatia de takotsubo; mas, se for, um segundo ataque pode ser prevenido – inclusive com medicação mais focada”, explica em entrevista ao site Cardiology Advisor.

Nessa síndrome, uma parte do coração temporariamente aumenta e não bombeia o sangue, enquanto o restante das funções transcorre normalmente ou com contrações mais fortes.

Os pesquisadores estão apenas começando a compreender as causas e como diagnosticar e cuidar do problema, mas já se sabe que, por um lado, ela é tratável (e a grande maioria das pessoas pode ficar bem em questão de duas semanas); por outro lado, em alguns casos, a cardiomiopatia de takotsubo pode levar a uma falência do músculo do coração a curto prazo e exigir cuidados prolongados.

Douglas Miller reforça que as mulheres na época de pós-menopausa precisam estar alerta à Síndrome do Coração Partido. “Súbitas injeções de adrenalina, mostram as pesquisas em animais e relatórios clínicos, podem ‘atordoar’ o músculo do coração nessa média de idade de 60 anos”, diz.

Assim, sintomas como dor no peito e dificuldade para respirar devem sempre ser avaliados por um especialista, diz o médico – que hoje, mesmo ainda sendo pouco comum, já estão melhores informados sobre a existência e as consequências desse mal.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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