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O que você precisa saber sobre gripe H1N1

Especialistas em infectologia respondem principais dúvidas relacionadas aos sintomas e a vacinação

25.06.2018 | por Fernanda Geppert

Com as baixas temperaturas e a recente chegada do inverno, você certamente tem ouvido falar mais sobre a gripe H1N1, um subtipo do vírus Influenza A, que pode ser contraído em todas as idades.

O vírus H1N1 é o que mais circula no país. Até o início de junho, foram registrados 1.885 casos, do total de 3.122 infecções por influenza. Os dados são consolidados pelo Ministério da Saúde.

Febre alta, dor no corpo e nas juntas, sintomas respiratórios, tosse e dor de garganta são alguns dos sintomas da gripe H1N1

Febre alta, dor no corpo e nas juntas, sintomas respiratórios, tosse e dor de garganta são alguns dos sintomas da gripe H1N1

O assunto costuma gerar dúvidas, já que circulam na internet mitos e recentes notícias sobre fechamentos de locais públicos como escolas. Embora a gripe A (causada pelo vírus H1N1) apresente sintomas próximos ao de uma gripe comum, existem diferenças na hora do diagnóstico. É importante ficar atento, pois a infecção pelo vírus pode trazer complicações mais graves de saúde.

O Coração & Vida conversou com médicos especializados em infectologia para listar os principais fatos que você precisa saber sobre H1N1. Entenda como se proteger:

Atenção à febre e sintomas respiratórios
Uma das características dos quadros de pacientes infectados pelo vírus H1N1 é a associação de febre alta (acima de 38º) com dor no corpo e nas juntas, além de sintomas respiratórios, tosse e nariz entupido, dor de garganta e até falta de ar, em alguns casos. Pessoas que apresentarem esses sintomas devem procurar avaliação médica logo no início, pois a indicação é de iniciar o tratamento com medicação específica (oseltamivir), em até 48 horas após o início dos sinais. O medicamento deve ser prescrito por um especialista e não é vendido, em farmácias, sem receita.

Higienização correta das mãos evita a transmissão
O período de incubação do vírus no organismo humano pode variar de um a três dias, por isso a transmissão ocorre antes mesmo de aparecerem sintomas. Ela acontece por via área, ou seja, tosse, espirro e gotículas de saliva. O compartilhamento de objetos como copos e talheres também pode favorecer o contágio (de uma pessoa doente para a outra).

Dessa forma, lavar as mãos diversas vezes ao dia – com água e sabonete – e fazer o uso de álcool em gel são boas atitudes para se prevenir. “Gosto de reforçar que a transmissão da gripe ocorre basicamente por contato direto. A higienização, portanto, contribui para evitar não só esse contato com o vírus, mas também de passá-lo para outras pessoas porque, ao tossir ou espirrar, nós podemos levar partículas de saliva contaminadas para as mãos”, ressalta o médico Edson Abdala, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e chefe do serviço de Infectologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Outra dica é apostar no uso de lenços de papel descartáveis, na hora de tossir e espirrar, principalmente em transportes coletivos e locais fechados, com grande circulação de pessoas.

Vale (e muito) garantir a vacinação
Segura e com taxa de proteção de até 95%, a vacina contra influenza é produzida com vírus fracionados e inativos. Para entender melhor, existem dois tipos de vacinas que protegem contra a infecção: a trivalente, disponível na rede pública de saúde, imuniza contra dois vírus da influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B. Já a quadrivalente, encontrada apenas na rede privada, amplia a imunização para mais uma cepa do vírus influenza B. “Ao falar de prevenção, não podemos deixar de citar a importância da vacinação anual. Os centros de monitoramento e referência espalhados pelo país, como o Instituto Adolfo Lutz, identificam os tipos de vírus que estão mais circulantes no ano e produzem a vacina para combater os tipos mais prevalentes (no próximo ano). A imunização é indicada e segura”, destaca o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas, referência nacional na área.

O especialista reforça que as duas vacinas são altamente eficazes, mas existe o tempo de ação no organismo para fazer efeito, o que leva entre 12 e 15 dias. Durante esse período, não deixe de ficar atento à prevenção – e possíveis sintomas -, pois é possível contrair a gripe mesmo assim. Os efeitos colaterais são pequenos, dor local e febre baixa, por isso não há motivos para preocupação. “Esses efeitos são inexpressivos quando comparados aos benefícios da imunização. Estamos falando de uma doença associada a complicações severas, quadros de internação e com risco de morte”, explica Gorinchteyn.

Conheça os grupos de risco (e com indicação para a imunização gratuita na rede pública)

– Crianças entre seis meses e cinco anos

– Gestantes e mulheres com parto recente

– Pessoas acima dos 60 anos

– Pacientes com doenças crônicas como insuficiência renal e diabetes

– Pacientes imunodeprimidos (em tratamento de câncer, HIV ou que passaram por transplantes de órgãos e tecidos)

– Profissionais de saúde

– Professores da rede pública e privada

– População indígena

– População privada de liberdade, assim como funcionários do sistema prisional

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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