Coração e Vida | Diabetes: obesidade apresenta maior risco que fatores genéticos

Diabetes: obesidade apresenta maior risco para doença que fatores genéticos

Estudo dinamarquês mostrou que pessoas obesas têm risco seis vezes maior de desenvolver a doença

29.10.2019 | por Equipe Coração e Vida

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A obesidade atinge cerca de 20% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Em números absolutos, isso significa quase 40 milhões de pessoas. O dado é preocupante. Além de favorecer o aparecimento de complicações cardiovasculares, um estudo feito na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, de 2019, concluiu que a obesidade é o maior fator de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

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A pesquisa foi feita pela avaliação de um grupo de pouco menos de 10 mil pessoas. No tempo médio de 14,7 anos, 49,5% desenvolveram diabetes tipo 2. Os cientistas compararam pouco mais de 4 mil novos casos da doença, com pouco mais de 5 mil  participantes que não desenvolveram o problema. Foram observados o índice de massa corporal, o estilo de vida e a predisposição genética. Comparado a ter um baixo risco genético, ter um alto risco genético dobrou o risco de desenvolver diabetes. Ter um estilo de vida pouco saudável elevou moderadamente o risco de desenvolver diabetes em 18% — em comparação com um estilo de vida saudável. Mas, em comparação com ter um peso corporal normal, ser obeso conferia um risco quase seis vezes maior de diabetes. Portanto, a obesidade é um fator de risco dominante para o diabetes tipo 2.

 

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Endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, Claudia Cozer Kalil explica que o aumento da gordura na região abdominal dificulta a ação da insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por levar o açúcar da corrente sanguínea para ser consumido dentro das células. Por isso, quanto mais obeso for o indivíduo, mais seu pâncreas terá de produzir insulina, para tentar equilibrar essa deficiência. “No entanto, a capacidade de cada indivíduo de aumentar essa produção pancreática é determinada geneticamente. Pacientes que não conseguem produzir o suficiente de insulina começam a ter uma quantidade elevada de glicose na corrente sanguínea e desenvolvem, então, diabetes tipo 2”, detalha a especialista.

Uma pessoa pode ser considerada obesa quando seu IMC (índice de massa corporal) é maior que 30. O cálculo é feito da seguinte forma: peso dividido pela altura ao quadrado. Claudia afirma que é necessário iniciar controle de peso se o resultado passar de 25. Adotar um estilo de vida saudável ajuda a prevenir a obesidade e, consequentemente, a concentração de açúcar no sangue. A médica informa que a perda de peso – em torno de 10% ao ano – ajuda a controlar e a prevenir o diabetes tipo 2.

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Portanto, a obesidade ainda é um fator de risco dominante para o diabetes — apesar dos “bons genes”. Muito mais que uma questão puramente estética, o excesso de peso pode gerar complicações psicológicas, ortopédicas, metabólicas e cardíacas. Há casos em que os pacientes precisam de ajuda farmacológica. Mas, lembre-se: a avaliação clínica de um médico é imprescindível.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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