Outubro Rosa: entenda a importância da campanha que salva vidas

28 de outubro - 2017
Por: Equipe Coração & Vida

O Outubro Rosa começou lá nos anos 90, nos Estados Unidos, país de alta incidência de câncer de mama e com a mortalidade crescente. No Brasil, começou a se popularizar há pouco mais de 15 anos, mas cresceu e hoje já consegue conscientizar e chamar a atenção para a doença que atinge, anualmente, mais de 57 mil mulheres no Brasil e provoca cerca de 14 mil mortes.

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“Durante o mês, busca-se a conscientização para que a mulher se cuide e também faça os exames preventivos das mamas”, explica o mastologista Idam Junior, do Instituto de Prevenção do Hospital de Câncer de Barretos. “Não é o câncer que mais mata, mas quando olhamos todas as mulheres que morreram por câncer, a maioria foi por câncer de mama.”

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Com o diagnóstico precoce, o resultado pode melhorar. “O objetivo principal é o diagnóstico precoce através da mamografia. Ele vai fazer o diagnóstico na fase inicial, naquela fase em que ainda não é palpável”, orienta o médico. “Quando é diagnosticado precocemente, a chance de sobrevida é maior de 90%.”

Como o ideal é fazer a mamografia anualmente, o Outubro Rosa acaba relembrando as mulheres de que é hora de fazer um novo exame. E, apesar da preocupação de algumas mulheres pela radiação ionizante de uma mamografia, a procura pelo exame durante o mês de campanha aumenta.

“Percebemos que aumenta bastante a procura. A sociedade toda está se engajando”, explica Junior. Vale lembrar que a faixa etária em que acontece a maior parte dos casos é a dos 50 anos.

Por que mamografia e não ultrassom?

No Outubro Rosa, fala-se muito em fazer a mamografia. Mas, afinal, qual é a diferença desse exame para a ultrassonografia normal? O mastologista do Hospital de Câncer de Barretos explica que, conforme a idade vai passando, a mama fica menos densa, prejudicando a visualização no exame de ultrassom. Logo, é preciso fazer a mamografia para identificar algum problema.

“Em todos os estudos internacionais que foram feitos para identificar outros meios de detecção precoce, a mamografia foi o único exame que mostrou redução de mortalidade de câncer de mama. É o único exame que está consolidado. Outros, como a ultrassom, são complementares, mas não servem como rastreio”, conta.

No caso de uma mulher jovem, a mamografia não consegue identificar algum problema ainda no início por causa da densidade mamária maior.

“Acima dos 35 anos, se a mulher tem alguma queixa palpável, aí sim pode fazer a mamografia. Mas é diferente, não é apenas como um rastreio, mas sim para diagnosticar o que é que tem ali”, explica o especialista.

Segundo o ginecologista Alessandro Scapinelli, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em alguns casos, os dois exames são feitos para detectar algum problema.

“Existem áreas de falha na mamografia e áreas de falha na ultrassonografia. Às vezes, na mamografia não se vê um nódulo, mas a ultrassonografia detecta.”

De acordo com ele, uma ressonância magnética também pode complementar esses dois exames.

“Se a ultrassonografia e a mamografia não conseguirem elucidar e trazer informações que nos tranquilizem, podemos pedir a ressonância. Isso vale principalmente para mulheres que já fizeram cirurgia nas mamas, como mastectomia redutora – que pode ter fibrose, além das mulheres que têm mama muito densa e com prótese de silicone associada”, detalha.

Prevenção é a melhor saída

O que muita gente não sabe é que, apesar de a mamografia detectar o câncer na fase inicial, é um bom estilo de vida que desempenha um papel importante em prevenir ou retardar o surgimento do câncer. É prudente, portanto, se alimentar de forma equilibrada e, principalmente, praticar atividade física com regularidade.

Scapinelli explica que as coisas mais importantes que um ginecologista pode fazer é recomendar que se adote hábitos saudáveis de vida.

“O câncer de mama está relacionado com a obesidade, com o sedentarismo e o tabagismo. Se a gente conscientizar sobre a importância de fazer atividade física, se manter no peso adequado, ajuda muito. O sobrepeso ou obesidade provocam alterações metabólicas e hormonais que levam à inflamação, que, por sua vez, levam à resistência à insulina, e isso é péssimo para a mama”, alerta.

Além disso, lembra Scapinelli, a alimentação é muito falada para afastar as doenças cardiovasculares das mulheres na época da menopausa, e que essa atitude também acaba protegendo contra o câncer.

Idam Junior conta que a prevenção consegue diminuir em até 28% o risco de ter um câncer de mama. Além disso, ele comenta que a doença não escolhe classe social.

“Muitas vezes as mais instruídas são as que não querem fazer o exame, pois não querem ‘descobrir a doença’”, preocupa-se. “A conscientização tem de ser feita com todas as mulheres, e com os projetos de rastreamento para acolher as pacientes e tratar da melhor forma possível. Durante o ano todo estamos de braços abertos para receber as mulheres na prevenção do câncer”, conclui.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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