Coração e Vida | Overtraining pode fazer mal ao coração

Overtraining pode fazer mal ao coração

O excesso de exercícios físicos ou treinos intensos também pode causar inflamações em diferentes órgãos do corpo. Entenda como acontece:

25.11.2019 | por Equipe Coração e Vida
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FOTO: shutterstock

A máxima de que exercícios físicos devem ser realizados com moderação é verdadeira. Nem todo mundo sabe, mas não respeitar o tempo de recuperação do corpo de forma adequada pode causar problemas para o organismo, levando à chamada síndrome de overtraining, ou síndrome da prática excessiva de atividade física (mais comum em superatletas).

Em artigo brasileiro publicado este ano na revista Cytokine (acadêmica, mensal e publicação oficial da Sociedade Internacional de Citocinas, nos Estados Unidos) pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) afirmam que o excesso de treino pode causar desequilíbrio no balanço oxidativo do organismo — o que provoca produção de substâncias pró inflamatórias, levando a inflamação de músculos esqueléticos e outros órgãos do corpo. Por isso, overtraining pode ser muito prejudicial principalmente para o coração e o fígado.

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Durante os estudos, cientistas submeteram camundongos a diferentes práticas de overtraining, como corrida no plano, na subida e na descida por um período de oito semanas. Em todos os cenários, as células musculares ficaram com dificuldade de captar a glicose que circula no sangue, fazendo com que o coração e o fígado buscassem compensar essa falha. Em decorrência disso, o coração dos ratos apresentou sinais de fibrose, e o fígado apresentou aumento de gordura.

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Cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP (FMUSP), Maria Janieire Alves afirma que, ainda que os resultados tenha sido baseados em testes com animais, no caso, ratos, já está estabelecido que o excesso de treino pode levar à redução de rendimento do atleta. Além disso, sabe-se que, com a prática excessiva de atividades físicas há elevação do fluxo sanguíneo por muito tempo. Isso pode fazer com que aconteça dilatação do coração, e desenvolvimento de arritmias cardíacas e fibrilações arteriais.

“Pessoas que dormem pouco, trabalham muito e ainda realizam um alto grau de atividade física, como é o caso de alguns executivos ou superatletas, têm risco de desenvolver a síndrome de overtraining”, alerta a especialista.

A cardiologista explica, ainda, que estudos mostram que, para atletas corredores, a média de 50 quilômetros por semana é vista como ótima. Os benefícios começam a ser anulados quando são praticados mais de 70 quilômetros por semana.

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Sintomas:
Sentir palpitações imediatamente após o treino e perceber que, mesmo com treinos diários a performance está diminuindo, são sinais de overtraining. Por isso, Maria Janieire afirma que atletas que treinam pesado diariamente devem passar por avaliação médica periodicamente.


Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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