Pense mais e melhor sobre o seu intestino

13 de abril - 2018
Por: Equipe Coração & Vida

Vamos começar pelo básico: o intestino faz parte do sistema digestivo e é por meio dele que ocorrem alguns dos mais importantes processos no corpo humano. Dividido em duas partes, o órgão primeiramente faz a absorção da grande maioria dos nutrientes (no intestino delgado) e depois a absorção da maior parte da água utilizada durante o processo de digestão (no intestino grosso).

Mas muitos estudos científicos foram capazes de averiguar que o bom funcionamento do intestino é ainda mais essencial ao organismo. Além de depender de alimentação adequada e boa hidratação, cuidar deste órgão e entender o que ele faz é bastante interessante para manter a saúde geral de um indivíduo.

O intestino pode ser um órgão do qual ninguém fala, até por vergonha, mas ele está envolvido em uma série de funções vitais ao corpo
O intestino pode ser um órgão do qual ninguém fala, até por vergonha, mas ele está envolvido em uma série de funções vitais ao corpo

Em seu livro “O Discreto Charme do Intestino” (um best-seller bastante inusitado, que explica com muito bom humor o papel do órgão), a cientista alemã Giulia Enders repassa todas as funções conhecidas do intestino e outras que vêm sendo descobertas aos poucos pela comunidade médica.

Enders faz, por exemplo, uma comparação do intestino com o coração: enquanto o segundo é repleto de prestígio, tido como fundamental para a vida humana, o intestino acaba sendo subestimado – como motivo de vergonha, um órgão “constrangedor”, como cita a autora.

No entanto, ela explica também que o intestino tem influência em diversos pontos do corpo. No cérebro, por exemplo.

Pesquisas mostram que, por contar com incontável número de nervos, o intestino pode lançar sinais químicos e interconexões. Daí as sensações de medo ou angústia, entre outras, serem muito sentidas pelo órgão (e o que muitos entendem com dor de barriga, é o intestino “pensando” como um cérebro mesmo).

E como manter o intestino bem e espalhando saúde para o restante do organismo? Vamos às dicas – com consultoria da mestranda em biotecnologia pela Universidade de São Paulo Stefania Braga, estudiosa dos probióticos (microrganismos responsáveis pelo equilíbrio bacteriano intestinal).

Coma menos carne vermelha

Uma dieta rica em carne vermelha aumenta o risco de câncer de cólon, de acordo com a Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos. Embora o motivo exato sobre isso não seja conhecido pelos cientistas, dados clínicos sugerem um link entre substâncias cancerígenas conhecidas como compostos N-nitrosos. Os estudos na área mostram que a carne vermelha (mas não a carne branca) deixa resíduos no intestino que podem levar ao câncer.

Coma mais fibras

Comer uma dieta rica em fibras é sempre visto como um ponto central para a saúde geral do intestino. Isso porque a fibra move os alimentos ao longo do trato digestivo, diminui o tempo de trânsito e incentiva a eliminação das fezes. Além disso, a fibra ajuda a impedir que o cólon absorva substâncias potencialmente cancerígenas enquanto se movem pelo trato digestivo. Frutas, vegetais e grãos integrais contêm quantidades ricas de fibras.

Aposte no peixe

Os ácidos graxos ômega-3 presentes nos peixes reduzem o risco de doenças crônicas e são essenciais para uma boa saúde. Esses elementos são, talvez, mais conhecidos por seus benefícios ao coração; mas fazer uma dieta rica em peixes parece reduzir significativamente o risco de câncer de cólon também. Os ácidos graxos ômega-3 ajudam a reduzir inflamações no órgão, o que é benéfico para a saúde do cólon, uma vez que a inflamação é uma das principais características das doenças no intestino. Segundo a escola de medicina Johns Hopkins, a recomendação é comer peixe até três vezes por semana.

Controle seu peso

Sim, é preciso conferir a balança… O excesso de peso tem um efeito negativo em muitos aspectos da saúde, claro, mas a obesidade, em particular, aumenta o risco de câncer de cólon de acordo com diversas pesquisas. A insulina, um hormônio que regula a glicose, geralmente é elevada em pessoas com excesso de peso – e isso pode promover o desenvolvimento de tumores. Comer uma dieta saudável, como citado nos itens acima, e fazer exercício são fundamentais para esse controle.

Mais alguns produtos bons para o intestino

Segundo Enders, além das fibras e peixes, muitos ingredientes podem entrar na rotina alimentar e fazer bem ao intestino – e qualquer um pode encontrar elementos que sejam de sua preferência. Vá anotando: alcachofra, aspargos, banana, chicória, alho, cebola, aveia, centeio, alho-poró… Todos são boas opções. E a especialista faz outro alerta: quem tem o hábito de comer poucas fibras não deve passar, de uma hora para outra, a uma dieta rica (ou aumentar o uso de probióticos ou mesmo laxantes). Isso pode desequilibrar a comunidade de bactérias intestinais e causar mais problemas do que melhorias na saúde geral. A mudança é melhor quando é gradual.

Leia também

Conheça a importância das bactérias intestinais para a saúde

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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