Coração e Vida | Pílula do dia seguinte: o que você precisa saber

Pílula do dia seguinte: o que você precisa saber

Funciona após 24 horas? Quais os riscos? Há limite para uso? Tire suas dúvidas

13.11.2018 | por Equipe Coração e Vida

Por Thassio Borges

O uso do medicamento conhecido como “pílula do dia seguinte” ainda gera diversas dúvidas, seja em relação à sua administração, seja em relação aos possíveis riscos que carrega. Confira a seguir as respostas do ginecologista Renato Kalil, diretor clínico da Clínica Ginecológica e Obstétrica Kalil, para as principais questões que envolvem o assunto.

Pílula do dia seguinte tem mais efetividade se for ingerida dentro das primeiras 24h - Foto: Shutterstock

Pílula do dia seguinte tem mais efetividade se for ingerida dentro das primeiras 24h – Foto: Shutterstock

A pílula do dia seguinte é segura?

Se for usada nas primeiras 24 horas após romper a camisinha/ejaculação indesejada, há uma segurança de 90%. Entre 48 e 72 horas, os riscos vão aumentando, chegando a um percentual de 30%. Ou seja, a eficácia da pílula pode cair para 70%.

Qual o tempo máximo para toma-la?

72 horas, lembrando que após 24 horas o risco começa a aumentar gradativamente.

Quais são seus riscos?

Há riscos de efeitos colaterais (trombose, por exemplo), mas existem também os riscos de gravidez. Se a mulher é uma trombofílica (propensão a desenvolver trombose), o uso da pílula pode acarretar em piora do quadro ou até numa trombose de membros inferiores, em um acidente vascular cerebral.

Algo muito frequente é a sensibilidade mamária (as mamas ficam mais sensíveis). Isso porque a pílula contém progesterona em dose mais alta, em dose única. A pílula também pode levar a diarreia e ao vômito, e, sem tanta frequência, pode gerar icterícia, elevação na pressão arterial, aumento de peso (muito discreto), alteração no colesterol (se for só um uso, é mínimo), alteração na glicose e gravidez tubária (gestação ectópica).

Ela favorece a gravidez ectópica?

Pode favorecer. Imagine que a mulher teve uma relação sexual, e o esperma passou, foi para a trompa. Passou pelo endométrio e encontrou o óvulo no meio da trompa, na região ampolar. Engravidando nesse local, a gravidez não tem como ir para o útero se não for pelos batimentos ciliares da trompa. Existe uma musculatura espiralada na trompa, que faz uma “espécie” de movimento peristáltico, tentando com esses cílios e esses movimentos “jogar a gravidez” para dentro do útero. O que essa progesterona em alta dose pode fazer – e acontece bastante – é diminuir o trabalho tubário, o batimento ciliar, fazendo com que a gravidez se desenvolva na trompa. Isso gera a gravidez tubária e não é tão raro.

Quantas vezes pode ser tomada no ano? Com que frequência?

Essa pílula pode ser usada todos os meses, mas é preciso lembrar dos efeitos colaterais. Hormônio ingerido pela boca tem mais efeitos colaterais porque passa duas vezes pelo fígado. Então, além dos fenômenos tromboembólicos já citados, a mulher ingere hormônio em alta dose. Se for uma vez por mês, sem problema nenhum. O que não se aconselha é repetir o uso no mesmo mês, pois pode acarretar maior gravidade nos efeitos colaterais desse método de urgência.

E se, mesmo assim, engravidar? Há riscos para o bebê?

Não há risco ao bebê. A pílula causa uma irregularidade no endométrio, deixando-o inapropriado para a nidação (momento em que o óvulo é fecundado no útero). Se a mulher engravidar, o efeito da progesterona não ocorreu, mas não há risco nenhum para o bebê.

Leia também: Conheça 10 sintomas comuns na gravidez

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.
* Campos obrigatórios.

Esse site é melhor visualizado no modo Portrait.

Esse site é melhor visualizado no modo Landscape.