Coração e Vida | Pílula do dia seguinte: superdosagem é questão séria

Pílula do dia seguinte: superdosagem é questão séria

Uso recorrente do medicamento aumenta o risco de complicações de saúde. Entenda:

20.08.2019 | por Equipe Coração e Vida

 

Pílula do dia seguinte tem mais efetividade se for ingerida dentro das primeiras 24h - Foto: Shutterstock

Pílula do dia seguinte tem mais efetividade se for ingerida dentro das primeiras 24h – Foto: Shutterstock

O uso do medicamento conhecido como “pílula do dia seguinte”, ou método contraceptivo de emergência, está cada vez mais popular entre as mulheres. Um levantamento feito em 2018 pela Secretaria Estadual de Saúde mostrou que, somente em São Paulo, metade das mulheres em idade fértil – de 15 a 44 anos – já fez uso do remédio pelo menos uma vez.

A pílula, que contém dose elevada de progesterona (no caso, sintética, fazendo as funções do hormônio produzido pelos ovários) ou do chamado ‘acetato de ulipristal’ (modulador dos receptores de progesterona) age no organismo impedindo a ovulação, ou retardando a liberação do óvulo — caso a mulher já esteja ovulando. “Essa dose elevada desses hormônios faz com que o muco vaginal fique mais espesso, atrapalhando a locomoção do espermatozoide. A pílula também interfere no endométrio, parte interna do útero, impedindo a implantação do embrião”, explica o ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein, Renato Kalil.

De acordo com o especialista, a chance de a pílula evitar uma gravidez é de cerca de 90% — quando ingerida nas primeiras 24 horas após a relação sexual considerada de risco (sem proteção, casos de violência sexual etc). Depois deste período, até 72 horas após a relação, o risco de haver uma gravidez aumenta para 30%. Por isso, quanto mais rápido for ingerida, mais eficaz será.

No entanto, o que pouca gente sabe ou fala é sobre efeitos colaterais sérios que podem ocorrer com o uso recorrente da pílula, ou seja, mensalmente, mais de uma vez ao mês etc — perigosamente incorreto. Por isso, é preciso ter cautela. O medicamento, de fato, só deve ser tomado em casos emergenciais e, idealmente, o menor número de vezes possíveis em um ano. Caso contrário, pode ocorrer condições graves, como hemorragias, trombose e até câncer.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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