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PMMA, preenchimento e silicone: entenda quando o uso é seguro

Especialista em cirurgia plástica esclarece dúvidas sobre bioplastia, aplicação de PMMA e procedimentos estéticos

19.07.2018 | por Fernanda Geppert

O assunto está em todo o noticiário: bioplastia. O nome genérico é utilizado para se referir a modelamentos no corpo, sem cortes ou cirurgias, que envolvam algum tipo de preenchimento da região, muitas vezes ligados a promessas irreais de mudanças.

Nesta semana, o procedimento ficou mais conhecido no país após o desfecho trágico de uma paciente, no Rio de Janeiro, que passou por uma intervenção para aumento dos glúteos com um médico supostamente sem habilitação para cirurgias plásticas.

Nesse caso, especificamente, foi utilizada uma substância sintética que já carrega má fama entre os especialistas, o polimetilmetacrilato (PMMA), conhecido popularmente como hidrogel. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) não recomendam o uso do PMMA para fins estéticos. Ou seja, não há indicação para ser injetado na região glútea, devido aos sérios riscos à saúde.

Sociedades Brasileiras de Cirurgia Plástica (SBCP) e de Dermatologia (SBD) não recomendam o uso do PMMA para fins estéticos

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e de Dermatologia (SBD) não recomendam o uso do PMMA para fins estéticos

O cirurgião plástico Marcelo Rodrigues da Cunha Araujo, dos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, explica que o produto tem indicação pequena e específica para áreas do rosto que perderam o volume, como ocorre nos pacientes soropositivos (indicação prevista pela Anvisa em portaria de 2009), com quantidades que não ultrapassam entre cinco e 10 ml. “A substância não deve, sob hipótese alguma, ser injetada em grandes quantidades e nem por profissionais que não são especialistas, além de não ser indicada para modelamento corporal”, destaca.

O PMMA, segundo o médico, é perigoso e definitivo por ser composto de micropartículas de hidrogel que podem se espalhar pelo corpo e levar o paciente a reações inflamatórias importantes e difíceis de prever.

Justamente por ter forma líquida, a retirada da substância do organismo humano é quase impossível, pois a substância migra e acarreta em problemas para o resto da vida.

Nódulos, endurecimentos, necrose e até os extremos de embolia pulmonar e choque anafilático são consequências graves e rápidas relacionadas ao uso inadequado da substância. “Sem especialização, o responsável pela aplicação inadequada do produto pode injetar nos vasos sanguíneos do paciente. No caso da região glútea, por exemplo, que é uma região com  muitos vasos, o que ocorre é que a substância entope as veias e se dissemina pelo corpo, indo parar no pulmão e causando a embolia pulmonar. Se for realizado fora do ambiente apropriado, dentro de um hospital, o paciente pode ir a óbito rapidamente”, ressalta Araujo.

De acordo com o censo de 2017 da SBCP, foram realizadas 4.432 cirurgias plásticas para corrigir complicações e sequelas das aplicações de PMMA, em 2016. No geral, o número de plásticas reparadoras soma 664.809 procedimentos. Já segundo outra pesquisa realizada pela regional de São Paulo da sociedade médica, 17 mil operações reparadoras, por uso inadequado de PMMA, foram registradas em 2016.

Para garantir a segurança, existe uma recomendação clara para que qualquer procedimento estético, mesmo que minimamente invasivo, seja feito apenas por profissionais especializados em cirurgia plástica ou dermatologia. Quem está em busca de um médico de confiança, pode checar essa informação nos sites da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Essa checagem é muito importante, pois diminui bastante os riscos de complicações”, explica o cirurgião.

Leia mais: Planejando uma cirurgia plástica? Confira cuidados antes e depois

Outro ponto importante para ficar atento é relacionado ao local que a intervenção será realizada. Todo e qualquer procedimento deve ser realizado em hospitais ou clínicas com estrutura adequada.

Alta procura
Segundo o especialista, a cirurgia de aumento dos glúteos é muito procurada no Brasil. O aumento é seguro quando o paciente segue duas orientações. Uma é sempre procurar um profissional especialista (ligados às sociedades médicas). A outra é se informar sobre o produto e a técnica.

A maneira mais utilizada – e segura – é a lipoescultura, procedimento no qual se retira a gordura em excesso de alguma parte do corpo da paciente, como abdômen ou culote, por exemplo, e a purifica. Depois, essa gordura é reinjetada na região dos glúteos, dentro das nádegas e abaixo da pele. Os resultados são eficientes e duradouros, de 15 a 20 anos.

 Silicone
A segunda maneira segura de aumentar o bumbum é aplicando uma prótese de silicone no glúteo (gluetoplastia), semelhante à prótese mamária. Ela é preenchida por um gel de silicone mais espesso e resistente, com até oito camadas de proteção na cápsula que separa o gel do organismo. Esse tipo de procedimento é realizado apenas em hospitais e com anestesia geral. “A cirurgia não causa risco e, o mais importante, a retirada é simples, em meia hora, com pequenas incisões, caso a paciente mude de ideia mais para frente”, esclarece.

Preenchimento
Substâncias seguras e absorvíveis, como o ácido hialurônico, são indicadas para preenchimentos, não na região dos glúteos, mas faciais, combatendo a flacidez da pele. “O ácido não causa reações no organismo e dura de um a dois anos. É seguro e indicado”, finaliza o médico.

 

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo
 

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