Por que a menopausa pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares

21 de outubro - 2022
Por: Juliana Fontoura

A menopausa marca um período de muitas mudanças para a mulher, que vão além da ausência de menstruação. Essa fase pode afetar sono, humor, corpo e, ainda, a saúde cardiovascular.

A atenção a esse aspecto, aliás, deve ser redobrada: isso porque as alterações hormonais que caracterizam a menopausa podem contribuir para o desenvolvimento de fatores de risco para problemas sérios como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Nessa fase, ocorre uma queda natural na produção de hormônios reprodutivos. O principal é o estrogênio, que está associado ao ciclo menstrual, mas também é considerado protetor para a saúde cardiovascular feminina. Auxilia, por exemplo, no controle dos níveis de colesterol. Assim, quando sua produção diminui, a mulher perde essa proteção e o risco de problemas no coração pode aumentar. Isso porque uma possível consequência é o aumento do chamado “colesterol ruim” (como é conhecido o LDL).

Contudo, não são apenas as taxas de colesterol que podem ser afetadas – e nem são apenas elas que, isoladamente, quando em desequilíbrio, podem levar a problemas cardíacos ou nos vasos. Segundo Leila Correa, médica ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, as alterações hormonais também podem contribuir para aumento de peso, mudanças na redistribuição da gordura do corpo (que se torna mais prevalente no tórax e abdome), alterações no tecido que reveste o interior dos vasos sanguíneos (endotélio) e piora do sono, com maior risco de síndrome metabólica (resistência à insulina). “Esses fatores aumentam o risco para doença cardiovascular”, afirma a médica.

O aumento desse risco, conta a especialista, pode exigir ainda mais atenção em alguns casos. “A literatura médica tem demonstrado que o risco parece ser maior em mulheres que entram na menopausa mais cedo (antes dos 45 anos) e em mulheres que possuem outros fatores de risco como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, antecedente familiar de doença coronariana e diabetes.”

Prevenção

Um dos primeiros passos para a prevenção é justamente ter em mente que as doenças cardiovasculares não são exclusividade dos homens – aliás, também são a principal causa de morte entre as mulheres em todo o mundo.

Alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos. E o melhor caminho é bastante conhecido: manter um estilo de vida saudável. Sobretudo após os 40 anos, segundo a médica ginecologista Leila Correa. Ela lista algumas medidas importantes nesse sentido:

– manter uma dieta saudável (ingerir com regularidade legumes, frutas, preferir carne branca a vermelha, ter ingestão regular de fibras e cereais);

– praticar atividade física regularmente (mínimo de 150 minutos por semana);

– manter peso corpóreo adequado;

– não fumar;

– não exagerar na ingestão de bebidas alcoólicas.

(Imagem: Shutterstock)

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