Primeiros-socorros em crianças: engasgo e queimadura
Por Thassio Borges
São inúmeras as situações emergenciais com as quais os pais podem se deparar quando se tratam de crianças, especialmente aquelas mais novas. Coração & Vida consultou Flávia Nassif, pediatra do Hospital Sírio-Libanês, para explicar, de forma prática, o que deve ser feito imediatamente diante das principais ocorrências envolvendo os pequenos.
Mas, lembre-se: estas são situações emergenciais, quando o primeiro contato com a criança é feito inevitavelmente pelos pais ou responsável. “O mais importante em todas as situações é investirmos na prevenção. Diante desses acidentes domésticos, mantenha a calma e tente seguir essas recomendações. São situações que com certeza preocupam e assustam os pais, mas servem como aprendizado para não acontecerem novamente no futuro”, afirma Nassif.
Veja abaixo como intervir em situações emergenciais com as crianças:
Engasgos
Quando um corpo estranho (líquido ou sólido) chega à traqueia, o ar acaba sendo obstruído total ou parcialmente. Em bebês, geralmente ocorre por causa de líquidos, enquanto crianças maiores podem apresentar problemas com sólidos, desde alimentos e até pequenos objetos. Saiba como agir:
1 – Criança está tossindo: nesse caso, não se deve intervir;
2 – Criança engasgou, não consegue falar ou tossir, apresenta lábios arroxeados e leva as mãos ao pescoço: independente da faixa etária, retire o objeto da boca da criança se ele estiver evidente. Nunca retire às cegas. Em crianças maiores de um ano, posicione-se atrás dela, explique de forma sucinta o que será feito e inicie as compressões abaixo do diafragma. Posicione uma mão fechada, encoberta pela outra, entre o umbigo e a extremidade inferior do osso do peito da criança e realize compressões em trancos para dentro e para cima. Deve-se repetir a manobra até o objeto ser expelido ou caso ocorra perda de consciência. Esses movimentos são conhecidos como manobra de Heimlich.
Em crianças menores de um ano, o socorrista deve primeiramente sentar, apoiar o ventre do bebê no antebraço com a cabeça mais baixa que o corpo, mantendo a boca aberta com os dedos. Nesta posição, aplicam-se cinco golpes nas costas do bebê. Vire-o na sequência com a barriga para cima e aplique cinco compressões no osso do peito da criança (logo abaixo da linha imaginaria traçada entre os mamilos). Repetir o ciclo ate o objeto ser expelido ou o bebê perder a consciência.
3 – Criança engasgou e perdeu a consciência: posicione-a numa superfície rígida, com a barriga para cima. Abra a boca e retire o objeto com os dedos em forma de pinça, caso ele esteja visível. Observe se a respiração da criança se reestabelece. Caso o objeto não seja visualizado ou a vitima não respirar, deve-se proceder com a respiração boca a boca, com duas respirações de resgate. Caso ainda não haja respiração, devem-se iniciar as compressões torácicas, revezando com respiração boca a boca (30 compressões para cada duas respirações). Se houver alguém próximo solicite que chame o resgate imediatamente; do contrário, grite por socorro.
Erros comuns
– Ao ver a criança tossir, não dê tapas vigorosos em suas costas. Isso pode deslocar o objeto estranho e causar obstrução completa da traqueia.
– Não tente retirar o objeto da boca da criança às cegas. Isso pode empurrar o corpo estranho e obstruir por completo a via respiratória.
Queimaduras
A maioria das queimaduras infantis acontece na cozinha. Os tipos mais comuns são:
1 – Escaldadura: queimadura por líquidos quentes; acontece principalmente em menores de cinco anos;
2 – Contato com fogo e objetos quentes. Quando provocadas por chamas são as mais graves, atingindo maior extensão e profundidade da pele;
3 – Substâncias químicas: soda cáustica é a que representa o principal risco;
4 – Exposição à eletricidade;
5 – Exposição solar;
O que fazer em casa:
- Retire a roupa que cobre a área queimada. Se estiver grudada, lave a região até que o tecido possa ser retirado com cautela;
- Deixe a superfície queimada em água fria ou faça compressas frias e limpas na área acometida. A água alivia a dor, limpa, impede a extensão da queimadura e diminui o edema. Não deixe as compressas úmidas por muito tempo, já que a troca de calor pode levar à hipotermia do paciente;
- Envolva a criança com lençol limpo, agasalhos, e encaminhe para atendimento médico.
- Dê um analgésico para alívio da dor e ofereça líquido pela boca de forma abundante em crianças conscientes
Erros comuns
– Não passe gelo nas queimaduras;
– Não passe pomadas ou medicações caseiras;
– Não fure as bolhas em casa. Deixe o médico avaliar primeiro e, se necessário, fazer com técnicas adequadas de assepsia.
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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo