Coração e Vida | Quando a pressão é considerada alta?

Quando a pressão é considerada alta?

Hipertensão atinge 32% dos brasileiros, mas ajustes no estilo de vida podem ajudar a controlar a pressão

23.08.2018 | por Fernanda Geppert

Antes de falar sobre as medidas de referência para a pressão arterial, é importante saber: a hipertensão, ou seja, a pressão alta é uma doença silenciosa. Isso porque não costuma apresentar sintomas no início. Quando diagnosticada, na maioria das vezes, já há danos no coração, nos rins e na visão.

No Brasil, aproximadamente 32% da população adulta é hipertensa. A elevação da pressão acima do normal (saiba mais abaixo) pode dobrar o risco de AVC ou de doenças cardíacas. Por isso, os especialistas recomendam a checagem ao menos uma vez ao ano, com aquele aparelho comum que encontramos em consultórios médicos e unidades de saúde.

E como saber se a pressão está mesmo alta? O Coração & Vida conversou com a especialista Gabriela Ramalho, do Hospital Sírio-Libanês, para entender como a pressão é aferida, quais as medidas consideradas normais e como os ajustes no estilo de vida podem ajudar a controlar o problema. Confira abaixo:

Elevação da pressão arterial pode dobrar o risco de AVC ou de doenças cardíacas - Foto: Freepik

Elevação da pressão arterial pode dobrar o risco de AVC ou de doenças cardíacas – Foto: Freepik

Entenda as medidas: a pressão é considerada normal até 120x80mmHg, o popular “12×8”. Na faixa de 120-139×81-89 os médicos nomeiam de pré-hipertensão, um sinal de alerta, principalmente para a saúde do coração. A “escalada” é considerada hipertensão estabelecida quando a pressão é igual ou maior a 140x90mmHg.

Como medir a pressão: a médica explica que a pressão deve ser aferida em repouso de 5 minutos, em ambiente calmo, silencioso, com a bexiga vazia, pernas descruzadas e apoiadas no chão, sem ter realizado exercícios previamente. “Também é importante não ter ingerido café ou álcool nos últimos 60 minutos e nem fumado cigarros nos últimos 30 minutos”, destaca Ramalho.

Quem precisa tomar remédio: “O tratamento medicamentoso é muito individualizado. Depende dos níveis de pressão arterial e dos fatores de risco de cada pessoa”, ressalta. Por exemplo, uma pessoa pré- hipertensa, com alto risco cardiovascular ou antecedente de doença cardíaca, pode precisar de tratamento medicamentoso, enquanto alguém que tem uma hipertensão estágio 1, ou seja, leve (140-159×90-99) e sem fatores de risco associados, pode tentar a terapia não medicamentosa (com mudanças de hábitos) por 3 a 6 meses.

Tratamento à risca: pacientes com pressões mais elevadas geralmente requerem associação de medicações. A combinação é feita com drogas de classes diferentes. Atualmente, já são comercializados no Brasil medicamentos que unem mais de uma droga em um só comprimido, facilitando a adesão ao tratamento, que é imprescindível para o controle da pressão.

Menos peso, pressão menor: hábitos diários saudáveis são aliados no combate à hipertensão. A obesidade tem relação direta com a pressão alta. “Cada quilograma de peso eliminado reduz a pressão em 1mmHg, em média. Isso significa que uma pessoa pré-hipertensa que perde 10 quilos, por exemplo, pode voltar a ter a pressão considerada normal”, explica.

Equilíbrio no prato: a dieta ideal inclui ingestão de frutas, vegetais, laticínios desnatados e grãos, com redução de gorduras, principalmente as saturadas. Também é fundamental a redução do consumo de sal, limitando a 2g de sódio por dia. Além disso, a especialista faz um alerta para o consumo de álcool, que deve ser moderado.

Mais tempo em pé: se você passa muitas horas sentado, busque incluir na sua rotina caminhadas breves de 5 a 10 minutos para cada hora que passar sentado. Isso vai ajudar.

Desafie a preguiça: o exercício fortalece o coração e diminui a resistência nas artérias, além de ajudar a manter o peso. “Tornar-se ativo pode reduzir a pressão em 4 a 9mmHg, efeito semelhante ao de algumas medicações”, comenta a cardiologista. No entanto, é importante exercitar-se de maneira regular e constante, associando atividades aeróbicas e de resistência (musculação), para sentir os efeitos de 1 a 3 meses.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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