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Quando o treinamento passa da conta

Não é raro acontecer, infelizmente: muitos atletas amadores acabam perdendo a linha, exagerando e, então, as lesões vencem a corrida

2.02.2018 | por Flávia Pegorin - Equipe Coração e Vida

Às vezes, é pela busca de um corpo “perfeito”. Às vezes, pela animação de estar ganhando força rapidamente. E, às vezes, é apenas uma perda de noção com um novo hábito criado. O fato é que, quando um indivíduo se lança com firmeza e sem acompanhamento nos exercícios físicos, é possível que passe da conta – e aí, entram em cena as lesões.

Na academia ou naquela corrida de rua e outras modalidades, muitos fatores favorecem o aparecimento das lesões, sendo os mais comuns as técnicas inadequadas na realização de exercícios e o treinamento excessivo, com sobrecarga.

Foto: Shutterstock

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Para falar sobre o assunto – e ajudar a evitar esse tipo de situação –, o Coração & Vida conversou com Newton Nunes, professor de educação física da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo.

Coração & Vida – Normalmente, por que o atleta amador sente lesões ao praticar atividade física?

Newton NunesO atleta amador costuma enfrentar lesão ao praticar atividade física devido a alguns fatores: falta de aquecimento adequado ou colocar uma intensidade muito elevada por muito tempo em determinado treino ou treinar com intensidade e frequentemente, por exemplo. Muitas vezes, o atleta amador não realiza o fortalecimento muscular adequado também; ou seja, atinge distâncias cada vez maiores nos treinos e competições sem se preparar com musculação (para as pernas, principalmente).

C&V – Que tipos de lesões são mais frequentes?

Newton NunesÉ muito comum entre corredores acontecer a fascite plantar. É a inflamação da sola do pé, desde o calcanhar até os dedos, e pode provocar dor e dificuldade para caminhar. A tendinite do calcâneo e a inflamação da canela também são comuns nos corredores. Em alguns amadores, também pode ocorrer o estiramento muscular, geralmente na parte posterior da coxa, que ocorre quando as fibras do músculo são alongadas além de seu limite, sendo a dor do estiramento imediata.

C&V – Como se prevenir? Qual a “medida certa” para não se lesionar?

Newton NunesA prevenção acontece através da realização de uma avaliação física inicial (ergométrica ou ergoespirométrica), além de testes que avaliam as capacidades motoras. Por exemplo: teste de impulsão vertical e horizontal, resistência abdominal, equilíbrio, flexibilidade e outros. O profissional de educação física realiza depois a prescrição de treinamento físico coerente com a condição física atual do indivíduo e progride nessa prescrição de uma maneira gradativa e segura.

C&V – Como perceber que aconteceu uma lesão? A dor é o indicativo?

Newton NunesGeralmente, o principal sintoma da lesão é a dor, sim. E esse sintoma deve ser respeitado. Quando o atleta chega nesse estágio, certamente, o treinamento físico deve ser interrompido e, dependendo dos sintomas e regiões do corpo, deve-se procurar um especialista para realizar exames e avaliar sua real condição.

C&V – Em geral, como acontece a recuperação (e o tratamento)? Basta parar os exercícios?

Newton NunesNormalmente, no período de recuperação das lesões, o atleta precisa interromper os treinos. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser prescritos pelos médicos em estágios mais leves. Infelizmente, nem todos os atletas amadores respeitam completamente esse período. E, com isso, as lesões tornam-se muitas vezes intermitentes, ou seja, os sintomas acabam voltando.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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