Sal: o vilão silencioso da saúde

30 de julho - 2015
Por: Equipe Coração & Vida

Paula Rosa

Usado pelos brasileiros como um dos principais condimentos para dar sabor à comida, o sal é um inimigo perigoso e impacta silenciosamente na saúde. Isso porque ao entrar no organismo, o cloreto de sódio, nome científico do sal, atrai e absorve moléculas de água, provocando retenção hídrica. O problema é o consumo em excesso.

Para equilibrar a falta de água e aumentar o fluxo de sangue circulando, o corpo eleva a pressão arterial e sobrecarrega os vasos que se contraem para diminuir o fluxo sanguíneo e reestabelecer o estado habitual.

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Foto: Shutterstock

“Em longo prazo, o excesso de sal pode aumentar a resistência dos vasos e levar a uma série de doenças graves como: hipertensão, problemas renais, acidentes vasculares”, explica o cardiologista Luiz Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de, no máximo, 5g de sal ou sódio, o que equivale a uma colher de chá de sal. No Brasil, a média de consumo ultrapassa o dobro: cerca de 12 gramas consumidas por dia.

O exagero de sal está relacionado ao aumento no risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e doenças renais. As DCNT são responsáveis por 63% dos óbitos no mundo e 72% dos óbitos no Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, aproximadamente 25% dos brasileiros já apresentavam quadro de hipertensão arterial.

O fato é que exagerar na quantidade de ingestão de sódio é mais fácil do que aparenta. Além do saleiro, o sódio está presente na maioria dos alimentos industrializados, por causa de suas propriedades de conservante e aromatizante.

Um pacote de macarrão instantâneo, por exemplo, tem cerca de 1,6 g de sódio. Uma lasanha congelada, quase 3,5 gramas. Aqueles caldos prontos, possuem 5 gramas de sal. E, sabe o saboroso pãozinho do dia-a-dia? Tem 1 grama. Mas, além da qualidade dos alimentos, é preciso ficar alerta na quantidade de consumo por dia.

“Às vezes, a pessoa nem come muito sal, mas, se consome cinco pães por dia, por exemplo, já atingiu a quantidade recomendada, ou seja, o sal dos outros alimentos que ela consumirá no restante do dia, entra no organismo como excesso”, relata o especialista.

Para evitar os excessos, adote alimentos e temperos frescos, como orégano, alecrim, hortelã, cebola, tomate, azeite, vinagre na preparação da comida; preste atenção no rótulo dos produtos, evitando os que possuem maior quantidade de sódio, e, elimine de vez o saleiro da mesa.

“É tudo uma questão de hábito. A gente vê nos restaurantes as pessoas colocando sal nas saladas sem nem experimentar. É preciso pensar em alternativas mais naturais. Quanto mais natural, o alimento se torna mais saudável”, finaliza o cardiologista.

Vale lembrar que as pessoas “treinam” suas papilas gustativas para receber o paladar. Assim, a educação para pouco sal deve ser uma preocupação dos pais desde a infância de seus filhos.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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