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Silenciosa, a embolia pulmonar é perigosa e precisa ser tratada imediatamente

Falta de ar, tontura, dor e inchaço nas pernas são alguns dos sintomas do problema

16.04.2018 | por Coração e Vida

Na ocorrência de uma embolia pulmonar, qualquer demora em recorrer a um pronto-socorro pode ser determinante para que o paciente consiga ou não sobreviver. “Dor torácica geralmente súbita, falta de ar e algumas pessoas podem ter tosse com sangue. Diante de qualquer um desses sintomas, de forma súbita, é importante ir imediatamente ao pronto-socorro”, explica Rafael Faraco, pneumologista do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco.

A doença é causada por uma obstrução aguda das artérias pulmonares e de seus ramos, causada por um coágulo formado no sangue. Seus sintomas, no entanto, podem variar de caso a caso e, isoladamente, correm o risco de serem confundidos com manifestações de outras doenças “mais simples”.

Contraceptivos hormonais também podem ser a causa da embolia pulmonar

Contraceptivos hormonais também podem ser a causa da embolia pulmonar

 

Um dos principais perigos da embolia pulmonar é que, em muitos casos, trata-se de uma doença “silenciosa”. É possível, por exemplo, que o paciente comece a sentir-se muito cansado, com falta de ar e com dores no tórax, mas sem associar tais sintomas de forma imediata a uma doença que pode ser fatal.

Apenas com a persistência do quadro é que o paciente irá recorrer a um hospital, mas, dependendo da agressividade da embolia e do tamanho do coágulo, poderá ser tarde demais.

Vale explicar ainda que a embolia pulmonar pode ter relação genética/hereditária, ainda que esta não seja uma regra para o surgimento da doença, conforme explica Faraco.

“Em todo quadro tromboembólico, é importante [que seja feita] uma investigação de causas genéticas, que podem realmente ter relação genética/hereditária, mas não necessariamente”, completa.

Causas e fatores de risco

A embolia pulmonar não é causada simplesmente por um fator. Trata-se de uma doença que guarda relação com uma série de fatores de risco, ainda que alguns prevaleçam. É o caso, por exemplo, de pessoas que passaram por procedimentos cirúrgicos mais complexos, tendo de ficar acamadas por um período mais extenso.

Sua incidência pode aumentar também durante a gravidez, mas alguns hábitos e características pessoais podem ser determinantes para a ocorrência da doença, tais como fumo, obesidade, problemas cardíacos, pressão alta, hipertensão e demais problemas cardiovasculares.

Outro fator de risco comumente associado à embolia pulmonar são as viagens mais extensas. Ao ficar muito tempo sentado, seja em aviões ou automóveis, o paciente aumenta consideravelmente a possibilidade de sofrer uma embolia deste tipo.

Isso não significa que viagens mais extensas podem isoladamente causar a doença. O que geralmente ocorre é que alguns pacientes já apresentam diversos fatores de risco antes mesmo de embarcar em um ônibus ou avião. Ao ficar sentado na mesma posição durante todo o trajeto, o paciente acaba acionando um gatilho para a ocorrência da embolia pulmonar.

Hormônios são vilões

Faraco menciona ainda outras questões que podem influenciar diretamente a ocorrência do problema. “Situações que levem a alterações hormonais, como gestações e pessoas que utilizam algum tipo de hormônios sexuais [contraceptivos orais], ampliam a incidência da embolia”, destacou o pneumologista.

Sobre os contraceptivos especificamente, o especialista afirma que, na prática clínica, são observados casos de embolia pulmonar associados com o uso destes medicamentos, sem que haja causa genética identificada.

Novamente, é preciso salientar que o simples uso dos contraceptivos hormonais orais não é suficiente para desencadear uma embolia pulmonar. No entanto, ao associarem-se outros fatores de risco, a chance de desenvolver uma embolia no pulmão aumenta.

Também por este motivo, o pneumologista esclarece que a embolia pulmonar não ocorre apenas em pessoas mais velhas ou somente em mulheres. “Pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em jovens”, afirma.

Os homens também são suscetíveis à doença, embora a mulher esteja mais disposta devido à gravidez e ao uso de contraceptivos orais.

Embora guarde semelhanças com os demais tipos de trombose, a versão da doença que atinge o pulmão tem potencial de complicação maior. “Haja vista o risco de aumento da pressão da artéria pulmonar, o que pode levar em alguns casos à insuficiência respiratória e cardíaca”, explica Faraco.

Além dos sintomas já mencionados pelo pneumologista, alguns casos de embolia pulmonar podem gerar tontura, dor e inchaço nas pernas, aumento repentino da frequência cardíaca, bem como uma ampla dificuldade para respirar, que também ocorre repentinamente.

Ao perceber esses sintomas em você mesmo ou em pessoas próximas, é essencial acionar o pronto-socorro mais próximo. Conforme exposto, qualquer minuto poderá ser crucial para a recuperação.

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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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