Coração e Vida | Slime caseiro:especialista alerta sobre perigos da substância bórax

Slime caseiro: menina é intoxicada e especialista alerta sobre perigos da substância bórax

Composição química de "geleca" pode ser absorvida pelas mucosas e inflamar sistema gastroentérico

24.05.2019 | por Equipe Coração e Vida
Comprar slime pronto, testados pelo Inmetro e regularizados pela -- já têm a dosagem correta de cada elemento químico – e limitar o tempo de exposição da criança ao produto

Comprar slime pronto, testado pelo Inmetro e regularizado pela Anvisa, além de limitar o tempo de exposição da criança ao produto pode evitar intoxicação

 

Brincadeira de criança pode nem sempre ser inofensiva. Recentemente, o relato de uma mãe viralizou nas redes sociais: a filha de 12 anos foi internada em um hospital da capital paulista com um grave quadro de gastroenterite. Na mensagem, ela explica que o fato ocorreu “sem nenhuma razão aparente, com ultrassom e tomografia mostrando apenas um aumento de inflamação nos linfonodos intestinais”, escreveu. Depois de dias de angustia, veio a constatação: manipulação e contato intenso com “slime” — uma espécie de “geleca” gosmenta e colorida, febre entre as crianças — causou grave intoxicação.

Em desabafo nas redes sociais, a mãe contou que a menina se intoxicou com uma substância química chamada ácido bórico, ou bórax, utilizada para a confecção dos slimes – o que deixou mães e pais bastante preocupados. Muito utilizado na indústria de limpeza, o ácido bórico ou bórax é comercializado em pó e precisa ser diluído em água para compor o slime. “O problema está no excesso de contato com a substância alcalina. Quando absorvida pelas mucosas, ela pode chegar ao sistema sanguíneo e inflamar todo o sistema gastroentérico”, explica Fanny Lima, médica alergista e imunologista clínica do Hospital Sírio-Libanês.

De acordo com o relato da mãe, o médico que atendeu a criança desconfiou dos slimes que a menina continuava fazendo no quarto hospitalar, e constatou que se tratava de um envenenamento pela substância. Entre os principais sintomas da condição estão vômitos, diarreia e irritações.

O caso motivou a Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) a emitir comunicado oficial de alerta para os riscos do uso inadequado do brinquedo: “O bórax é um produto químico autorizado para diversas finalidades, como em fertilizantes, produtos de limpeza e até mesmo em medicamentos. Entretanto, se inalado ou ingerido, pode causar intoxicação. O uso inadequado do bórax pode provocar náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia com coloração azul/esverdeada, cianose (pele, unhas e lábios azulados ou acinzentados) e queda de pressão, perda da consciência e choque cardiovascular.”

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“Fiz o post para alertar os amigos, e fiquei impressionada com a quantidade de pais e mães que me mandaram mensagens sobre os filhos com os mesmos sintomas e sem diagnóstico. No Brasil, não existe teste para detectar o boro no sangue”, relatou a mãe em rede social. Por isso,

Outro cuidado essencial é manipular sempre a geleca em locais abertos e arejados. “Como a intoxicação se dá pelas mucosas, fazer o produto em casa sempre fará com que uma espécie névoa se forme, e brincar em locais totalmente fechados e secos aumenta as chances de a fumaça ser absorvida pelo nariz”, afirma Fanny.

Lavar as mãos após a brincadeira também deve fazer parte da rotina, evitando que o elemento químico entre em contato com a boca.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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