Coração e Vida | Slime, a geleca caseira que pode trazer prejuízos para a saúde

Slime, a geleca caseira que pode trazer prejuízos para a saúde das crianças

Pediatras consultados pelo Coração & Vida alertam para riscos associados à brincadeira

23.07.2018 | por Fernanda Geppert

Quem tem criança em casa já deve ter ouvido falar da nova sensação da internet, o slime, ou, na tradução literal, a geleca caseira, também conhecida como amoeba.

A brincadeira ficou tão popular que vídeos novos de receitas coloridas da massa grudenta estão, há semanas, entre os mais acessados no Youtube. Entretanto, por trás da promessa de diversão do estica e puxa se esconde um perigo para os pequenos. A composição da receita costuma levar cola, ácido bórico (ou água boricada), espuma de barbear e até sabão em pó.

Para o pediatra Carlos Augusto Mello da Silva, presidente do Departamento de Toxicologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, o brinquedo não é seguro. “Em nenhuma hipótese crianças devem mexer com água boricada”, destaca. A substância, de alta toxicidade, tem que passar longe da mesa de brincadeiras, se manter lacrada e distante do alcance das crianças.

Receitas caseiras com substâncias químicas podem desencadear reações alérgicas e queimaduras

Receitas caseiras com substâncias químicas podem desencadear reações alérgicas e queimaduras

O médico explica que o ácido bórico, utilizado nas receitas de slime e encontrado na forma de cristais incolores, pó ou líquido (água boricada), pode irritar a pele, a via respiratória e causar dano pulmonar, dependendo das condições de uso, concentração do produto e tempo de exposição.  Os riscos vão de dermatites até reações alérgicas mais severas, com queimaduras na pele e problemas nos olhos.

Apesar de ser considerada como um produto de baixa toxicidade, a cola escolar também traz prejuízos se ingerida, inalada ou absorvida pelas mucosas do corpo. “Quando falamos de produtos químicos, a concentração e o tempo de exposição (ao composto) são fatores que preocupam. O uso sem supervisão, por tempo prolongado, pode, sim, trazer danos importantes para a saúde da criança”, explica Mello.

A pediatra Flávia Nassif, do Hospital Sírio-Libanês, explica que as gelecas industrializadas oferecem menos riscos à saúde por conterem proporções fixas e seguras dos compostos químicos. Além disso, os brinquedos também possuem registros de órgãos regulatórios. “Em todo caso, a supervisão do adulto é indispensável, pois há risco de ingestão e deglutição para crianças pequenas, já que as gelecas são coloridas e atrativas. Idealmente, esses produtos são contraindicados para menores de três anos”, ressalta a especialista.

Ainda que o preparo da geleca faça parte da brincadeira, é mais seguro trocá-lo por outra atividade em que a criança possa colocar a “mão na massa” utilizando ingredientes comestíveis, sempre sob a supervisão de adultos, e sem cola ou água boricada. Entretanto, o consumo ou o descarte deve ser realizado em até 24 horas, quando se usa ingredientes perecíveis como farinha, maisena, ovos ou leite de coco (para massas doces). Que tal começar e – terminar – a tarde de férias em pizza?

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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