Sobrepeso e obesidade diminuem expectativa de vida e qualidade de vida

31 de agosto - 2016
Por: Equipe Coração & Vida

Manter o peso ideal é uma luta constante para muitas pessoas, ainda mais quando se tem uma vida corrida, pouco tempo para cuidar de si e uma grande oferta de alimentos prontos, que são muitas vezes calóricos para estarem presentes no cardápio do dia a dia.

O resultado de tudo isso é o ganho de peso da população. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 1,9 milhão de adultos em todo o mundo estão acima do peso. Desses, 600 milhões são obesos.

Estudo recente divulgado em julho pela revista médica “The Lancet” diz que estar acima do peso diminui cerca de um ano da expectativa de vida de uma pessoa. Em casos de obesidade severa pode checar a até 10 anos.

Foto: Shutterstock
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“As alterações relacionadas ao peso corporal [IMC], seja por baixo ou excesso de peso, podem representar um aumento de risco de morbimortalidade [doenças e morte]. Contudo, no caso do excesso de peso [sobrepeso e obesidade], este risco está associado à elevada associação entre obesidade e doenças clínicas comórbidas. Estas, sim, aumentam os riscos de mortalidade, sendo as principais as doenças cardiovasculares [hipertensão, acidente vascular cerebral e infarto] e metabólicas [diabetes mellitus e dislipidemia]”, esclarece o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, coordenador do Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e Obesidade (GRECCO) do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O principal referencial utilizado hoje para medir de forma fácil o peso ideal é o Índice de Massa Corporal (IMC). Para calculá-lo, deve-se dividir o peso (em quilogramas) por duas vezes a altura (em metros).

“O cálculo do IMC é ainda a maneira mais simples e prática das pessoas saberem se estão no peso ideal. A medida da circunferência abdominal também é importante, os números de referência são que não deve passar de 88 cm para mulheres e 90 cm para homens”, explica a endocrinologista Claudia Cozer Kalil, coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês.

O índice de relação cintura-quadril (RCQ) identifica o risco para doenças cardiovasculares. Estudos científicos provaram que uma grande concentração de gordura abdominal, mesmo sem considerar o grau de obesidade, é um fator importante para a saúde do coração e patologias associadas.

O Coração & Vida tem um aplicativo que ajuda nesse cálculo, descubra o seu índice clicando aqui.

O estudo revela ainda que o risco de morrer antes dos 70 anos é maior em 10,5% para homens moderadamente obesos, e 3,6% para mulheres na mesma condição, quando comprados com seus pares com pesos normais.

Para reverter esse quadro, é importante um trabalho de prevenção e conscientização, com melhores hábitos alimentares, priorizar alimentos mais saudáveis e incluir exercícios na rotina.

“A prevenção da obesidade é um trabalho de gerações. De pais para filhos. É uma mudança de toda uma cultura que envolve prazer em comer, questões estéticas e culturais, hábitos alimentares, sedentarismo, identificação de transtornos do comportamento alimentar, entre outros. O ambiente em que se vive pode influenciar positivamente ou negativamente uma predisposição genética para obesidade”, reflete Alexandre.

Claudia explica que o sobrepeso e a obesidade são a base para o aparecimento de muitas doenças e que atuam de forma silenciosa muito antes de apresentar sintomas.

“Ocorre um processo infamatório nos órgãos, com sobrecarga do organismo, e que muitas vezes só apresentam sintomas quando já há uma doença em processo avançado”, afirma.

Por isso, a prevenção é sempre o melhor caminho, entendendo que manter um peso saudável é importante para manter a saúde e evitar doenças atuais e futuras.

Confira algumas dicas da endocrinologista para manter um peso saudável:

– Comer o que necessita, não o que quer;

– Evitar repetir o alimento;

– Se movimentar e fazer exercícios para manter o equilíbrio entre calorias ingeridas e gastas;

– Comer de forma fracionada mantém o metabolismo estável;

– Preferir comidas mais simples, triviais no dia a dia e deixar receitas mais elaboradas e calóricas como exceção;

– Ter em casa alimentos e refeições que possam ser preparadas sem demandar muito tempo;

– Levar marmitas para quando precisar comer fora de casa;

– Evitar modismos, todos os grupos alimentares são importantes se consumidos de forma correta e respeitando o gasto calórico do organismo.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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