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Suplemento de melatonina: entenda as indicações de uso desse hormônio

Enxaqueca, insônia, jet lag... há vários usos para o produto, mas a automedicação pode ser perigosa

28.12.2017 | por Eli Pereira - Equipe Coração e Vida

Apesar de ser vendida livremente em muitos países da Europa e também nos Estados Unidos, no Brasil o suplemento de melatonina ainda é pouco conhecido, já que é considerado um medicamento e só é produzido sob prescrição médica em farmácias de manipulação.

No entanto, há vários usos para esse tipo de hormônio natural, que vão desde enxaqueca a distúrbios do sono. Além disso, um pesquisador brasileiro mostrou que a melatonina também pode ajudar a controlar o diabetes e até mesmo diminuir o apetite.

Foto: Shutterstock

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A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo. “É o neurohormônio do sono”, diz Fábio Porto, neurologista do Hospital Sírio-Libanês.

“Ela pode ajudar a regular o sono. Como o distúrbio de sono é um dos principais gatilhos ou fatores desencadeantes para enxaqueca, quem tem insônia ou restrição de sono tem muito mais chance de ter crise”, explica.

Porto afirma que, quando o sono chega, ele fica relativamente estável na maioria das pessoas, e o papel da melatonina aí é apenas promover a mudança do estado de vigília para o estado do sono.

Como a melatonina é produzida naturalmente pelo organismo ao cair do dia, quem tem a produção normal e se afasta de fontes luminosas – especialmente da luz azul – costuma ter um bom ritmo biológico.

No entanto, há pessoas que têm deficiência na secreção do hormônio – idosos podem ter uma baixa – ou até mesmo não produzem adequadamente por causa do estilo de vida. E é aí que o suplemento de melatonina pode agir com bastante eficácia.

“Oficialmente, a melatonina não faz parte do arsenal terapêutico para tratamento do transtorno da insônia”, explica Andrea Bacelar, neurologista e coordenadora do Departamento Científico do Sono da Academia Brasileira de Neurologia.

Ela, porém, reconhece que há indicação quando a produção de melatonina da pessoa está baixa. E explica o porquê: “É preciso saber se a pessoa tem dificuldade de iniciar o sono porque tem insônia ou se ela está querendo dormir ou indo para a cama em um horário diferente do seu ritmo biológico”.

Se o problema for se forçar a dormir em horários que o corpo não está acostumado, a melatonina até pode ser administrada para regular o relógio biológico da pessoa, mas isso exige uma disciplina enorme.

“Não é na primeira noite que resolve. Tem que ser disciplinado para fazer o uso da melatonina no horário adequado, e deitar e despertar sempre no mesmo horário.”

Um pequeno furo, como dormir até mais tarde em um final de semana, pode fazer o esforço todo ir por água abaixo, já que o horário biológico de cada um é definido por questões genéticas, e o organismo sempre vai lutar para voltar às origens. Um exemplo é aquelas pessoas que não conseguem dormir cedo, mas que sofrem ao acordar para trabalhar ou estudar pela manhã.

Para quem tem realmente dificuldade em adormecer – e quando isso não está relacionado a um desrespeito ao próprio horário biológico, o suplemento de melatonina tem um papel importante na indução do sono, diz Andrea.

Diabetes, obesidade e controle do apetite

O professor José Cipolla Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, é estudioso no assunto. De acordo com ele, a melatonina pode ter um papel importante no diabetes, na obesidade e no controle do apetite.

A tecnologia, por sua vez, não tem sido uma aliada de um bom sono. Cipolla Neto explica que a razão é a famigerada luz azul que, emitida por celulares e computadores, bloqueia quase que instantaneamente a produção de melatonina pelo organismo.

Quem, portanto, acessa o celular à noite ou, por razões profissionais precisa trabalhar até mais tarde, é prejudicado não só com um sono mais conturbado, mas também com um aumento de risco de diabetes e tendência maior à obesidade.

Cipolla Neto mostra que a melatonina também regula vários pontos do balanço energético e pode ajudar a regular a quantidade de alimentos ingeridos no dia, bem como aumentar o gasto energético. Logo, esse hormônio pode ser considerado um importante mecanismo antiobesogênico.

Mais estudos serão necessários para confirmar se a suplementação de melatonina pode ser indicada para ajudar no controle da glicemia, evitar a obesidade e controlar o apetite.

Até o momento, sabe-se que, ao contrário do que acontece em muitos países, os comprimidos de melatonina só são seguros se ingeridos sob orientação médica. A automedicação, portanto, é contraindicada.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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1 comentário

  1. Aleluia Sandes disse:

    Boa tarde Dr kalill
    Tenho um filho hoje com 20 anos,muito prejudicado pela tecnologia fica
    sempre conectado a noite inteira jogando online.Percebo alguns problemas decorrentes desse hábito como muita irritabilidade,falta de atenção,agressividade e aprendizado também.Nesse caso a melatonina resolveria? ou pelo menos ajudaria?

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