Coração e Vida | Tensão pré-menstrual: o que é possível fazer para tratar o problema

Tensão pré-menstrual: o que é possível fazer para tratar o problema

TPM também pode ser intensificada por problemas emocionais

19.02.2019 | por Equipe Coração e Vida

São poucas as mulheres que jamais se queixaram, dias antes da menstruação, daqueles sintomas que envolvem mau humor, melancolia ou impaciência que surgem e desaparecem logo depois que o ciclo se completa. É a tensão pré-menstrual, ou TPM, se manifestando e tirando muita gente do eixo. Quando essa fase passa a realmente incomodar, saiba que é possível conversar com um ginecologista e fazer um tratamento para amenizar os sintomas.

O ginecologista Alexandre Pupo Nogueira explica que a TPM nada mais é do que um quadro psico-hormonal, uma somatória de efeitos hormonais exacerbados por questões emocionais.

Hormônio progesterona é o responsável pela melancolia na fase pré-menstrual - Foto: Shutterstock

Hormônio progesterona é o responsável pela melancolia na fase pré-menstrual – Foto: Shutterstock

Depois de classificar o grau de relevância da TPM, avaliando o quanto esse problema interfere na vida da mulher e das pessoas ao entorno dela, é que os médicos vão escolher o melhor tratamento. “Quanto mais a mulher e o ambiente ao entorno dela são afetados pelo transtorno, mais grave consideramos que ele é”, explica o Nogueira.

Tudo acontece na segunda fase do ciclo menstrual. “A partir da ovulação, a mulher passa a produzir o hormônio progesterona, que prepara o corpo para uma possível gravidez. Esse hormônio muda o ambiente interno do útero para que ele fique mais receptivo para receber um embrião, mas também provoca um acúmulo de líquidos no corpo da mulher para provocar algumas alterações que vão ser importantes, uma vez que a gravidez aconteça”, explica o ginecologista.

Com isso, vêm as alterações nas mamas, que ficam mais sensíveis e inchadas. “E também há uma certa variação emocional, pois a progesterona é um hormônio que provoca uma certa melancolia”, detalha o médico. Quando o corpo entende que a gravidez não se concretizou, os níveis de progesterona – juntamente com um pouco de estrogênio – caem a praticamente zero e, 36 ou 48 horas depois, as mulheres menstruam. É nessa queda que a TPM, antes mais branda, se intensifica.

“Nos dois ou três dias que antecedem a menstruação, portanto, existe uma privação hormonal muito forte, que é uma mudança brusca no ambiente do corpo da mulher e que, de certa forma, também é um desencadeante de situações de irritabilidade, de depressão e variações hormonais”, explica o médico.

Quando a mulher está em equilíbrio com todas as esferas da vida, como a social, familiar, profissional e financeira, ela tende a sentir menos essas alterações provocadas pela progesterona.

Quando há desequilíbrio, porém, Nogueira explica que o corpo reage e a mulher perde alguns mecanismos de defesa cerebral, começando a sentir com mais ênfase essas questões da transição hormonal. “Quando conversamos com mulheres que têm TPM muito exacerbadas, normalmente também identificamos algum problema na esfera pessoal ou profissional”, diz o ginecologista.

Como tratar

Apoio psicológico: o médico explica que fazer psicoterapia é uma saída para lidar com problemas pessoais, e, com isso, fortalecer o emocional para lidar com a TPM mensal. “Podemos usar tratamentos alternativos para controlar a ansiedade e diminuir o estresse, como medicação, acupuntura e até mesmo homeopatia”, diz.

Óleo de prímula e polivitamínicos: sempre sob orientação médica, esses compostos são considerados tratamentos naturais e podem ajudar a lidar com a TPM.

Atividade física: Nogueira reforça a importância da atividade física, pois ela promove a liberação de endorfinas e uma série de substâncias benéficas para essa fase de TPM. “Além disso, a atenção exigida na atividade faz drenar a energia e, com isso, acaba gerando um certo relaxamento que ajuda a aliviar os sintomas desagradáveis”.

Alimentação saudável: a alimentação faz parte do equilíbrio físico do corpo. “Uma alimentação saudável, rica nos diversos grupos alimentares, como frutas, verduras, legumes, saladas, carnes, cereais, por exemplo, ajuda bastante”, explica o médico.

Medicações alopáticas: medicamentos antidepressivos, quando a intervenção natural não resolveu, podem ser prescritos pelos médicos. “Elas podem ter uma ação mais rápida do que os outros tratamentos, e vão estabelecer um certo equilíbrio emocional para que a paciente possa trabalhar e identificar os pontos que estão em desbalanço”, explica Nogueira.

Alguns alimentos podem piorar a TPM

Cafeína: o ginecologista aconselha a evitar o consumo de cafeína na fase pré-menstrual, seja aquela presente no café, nos refrigerantes à base de cola, no chá preto, no chá mate, energéticos, entre outros. “A cafeína é agressiva para o corpo na TPM, e pode fazer os sintomas aflorarem ainda mais”.

Alimentos gordurosos e ricos em carboidratos: “Os alimentos ricos em gorduras e carboidratos, que geram muita energia, também promovem efeitos negativos”, diz Nogueira.

Sódio em excesso: por levar a uma retenção maior de líquidos, o ginecologista aconselha moderação no sódio durante essa fase. “A retenção de líquidos já existe por causa da progesterona, e será intensificada pelo consumo excessivo de sal. Com isso, o inchaço e dor na mama aumentam, e aí a mulher pode não se sentir feliz com o corpo e ficar mais irritada e deprimida”, recomenda.

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Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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