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Vale trocar açúcar e sal pela versão light?

Produtos podem ser mais saudáveis, mas o consumo requer acompanhamento

26.01.2018 | por Thassio Borges - Equipe Coração e Vida

Quem costuma ir aos supermercados certamente já se deparou com versões de produtos que, em tese, seriam mais benéficos em relação aos tradicionais. Exemplos são o sal e o açúcar em suas versões light.

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De acordo com a nutricionista Paula Mintz Hertel, ambos os produtos podem ser consumidos, mas de forma discriminada. A simples adoção do termo “light” em suas composições não é suficiente para indicar que o consumo de sal e/ou açúcar não precisa respeitar limites.

Foto: Shutterstock

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A nutricionista explica que o sal light nasce da mistura de cloreto de sódio e cloreto de potássio, em graus que podem variar de meio a meio até a um terço/dois terços, respectivamente. Isso garante que, nesta versão, o sal light terá menor teor de sódio do que o tradicional usado na cozinha.

“Este sal constitui uma alternativa com benefícios comprovados para a redução da ingestão de sódio e aumento da ingestão de potássio. No entanto, indivíduos com restrição ao consumo de potássio, como aqueles com doenças renais, devem evitar seu consumo”, explica.

A especialista avalia que qualquer alteração no consumo de sal (e também de açúcar) deve ser acompanhada por um profissional capacitado. Caso contrário, o paciente correrá sérios riscos de diminuir, de fato, o consumo de determinada substância, e, consequentemente, aumentar a ingestão de outro produto, algo danoso para sua saúde.

“É muito importante consultar um médico ou nutricionista antes de substituir o sal. O produto light salga menos que o convencional, [mas] não podemos adicionar uma quantidade maior deste produto em relação ao convencional, pois a quantidade de sódio pode aumentar”, complementa.

Vale lembrar que o excesso de sal – e consequentemente de sódio – é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças renais e câncer gástrico, entre outras.

A nutricionista ressalta ainda que diminuir o consumo de sal na alimentação não é tarefa fácil.

“O mineral não está presente apenas no sal que adicionamos no preparo dos alimentos. Ele também é utilizado em conservas, salmouras e está presente em grande quantidade dos alimentos industrializados prontos para consumo, inclusive nos doces, como biscoitos recheados e bebidas”, explica.

Ou seja, somente trocar a versão tradicional pela light no preparo dos alimentos não é suficiente para trazer benefícios concretos.

A lógica vale também para o açúcar em sua versão light. De acordo com a nutricionista, ele é uma combinação do açúcar refinado comum (sacarose) com adoçantes artificiais, portanto é menos calórico que o açúcar refinado.

Ela explica, no entanto, que a substância light não é a mais indicada para pacientes diabéticos ou para aqueles em processo de emagrecimento.

“É essencial o acompanhamento de um nutricionista para orientar qual é a melhor opção, pois hoje temos no mercado inúmeros tipos de adoçantes [artificiais e naturais] com diferentes palatabilidades. Existem alternativas também ao açúcar refinado como, por exemplo, o açúcar mascavo, demerara, de coco, mel, melado, agave”, completa.

A melhor alternativa, no entanto, é estimular a utilização dos alimentos em sua forma mais íntegra, evitando sempre que possível adoçar, seja com adoçante ou açúcar. Sem o devido acompanhamento médico, a substituição do açúcar e/ou do sal por suas versões light poderá ser, na verdade, “um tiro no pé”.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

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